quinta-feira, 7 de maio de 2026

Hormônios ajudam a explicar raízes da soja

 

                                              Foto: Nadia Borges




A produtividade da soja começa abaixo da superfície, na forma como as raízes respondem aos sinais do solo e ajustam sua arquitetura para explorar melhor água e nutrientes. As informações são de Ednângelo Duarte Pereira, consultor de Desenvolvimento de Mercado, que destaca a interação entre nutrição e hormônios vegetais como uma das bases para o avanço do manejo no campo.



Na cultura da soja, a formação do sistema radicular não ocorre de maneira fixa. A planta responde de forma dinâmica à disponibilidade de macronutrientes, em um processo coordenado por sinais hormonais. Esse diálogo fisiológico ajuda a explicar por que a mesma lavoura pode apresentar diferentes padrões de crescimento radicular conforme as condições de fertilidade, estresse e manejo.


O nitrogênio atua como regulador do alongamento das raízes, mas sua resposta depende da forma disponível no solo. O nitrato tende a estimular o crescimento da raiz primária, associado à sinalização de auxinas e citocininas, favorecendo maior exploração do volume de solo. Já o amônio, quando presente em altas concentrações, pode restringir o crescimento da raiz principal. Em situações de deficiência severa, o aumento de ABA e etileno funciona como um freio metabólico, reduzindo a expansão para preservar recursos.


No caso do fósforo, a baixa mobilidade no solo leva a planta a priorizar a superfície de contato. Sob menor disponibilidade do nutriente, a soja reduz o crescimento da raiz principal e direciona energia para raízes laterais e pelos radiculares. Nesse processo, etileno e jasmonatos atuam como moduladores do transporte de auxina, ampliando a capacidade de absorção.


O potássio, por sua vez, está ligado ao balanço hídrico e à atividade enzimática. Sua deficiência reduz os níveis de auxina e citocinina, o que limita a exploração radicular. O aumento de etileno nessas condições indica estresse fisiológico e pode alterar a arquitetura das raízes em favor da sobrevivência, com impacto sobre o potencial produtivo.


No campo, esse conhecimento orienta decisões sobre bioestimulação, posicionamento de fertilizantes e escolha de cultivares. O uso de precursores hormonais pode ser estratégico no estabelecimento da lavoura, enquanto a correta localização do adubo fosfatado ganha importância em anos de seca. Cultivares mais sensíveis a brassinosteroides também podem manter melhor o crescimento radicular em solos de baixa fertilidade natural.


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