quarta-feira, 6 de maio de 2026

Fiesp reúne lideranças para debater crise no crédito rural e Plano Safra

 



Encontro, coordenado por Tereza Cristina, analisou o impacto das altas taxas no financiamento agrícola e destacou a urgência de um seguro rural eficiente e da reformulação do Plano Safra, com a presença do ministro da Agricultura, André de Paula.


Uma nova reunião do Conselho Superior do Agronegócio (Cosag) da Fiesp, realizada na segunda-feira (4/5), que contou com a presença do ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, e de representantes do setor financeiro e da agroindústria, analisou os desafios adicionais impostos ao setor pelo atual patamar de juros no crédito rural, considerado um dos pilares da produção nacional.


Para a presidente do Cosag, senadora Tereza Cristina (PP-MS), as taxas de juros praticadas hoje são incompatíveis com a realidade do campo. Em um cenário macroeconômico marcado por variações climáticas severas, preços baixos de commodities e custos de produção elevados, os juros restringem severamente o crédito, mesmo quando o produtor oferece garantias sólidas.


A senadora enfatizou que taxas mais adequadas trariam a previsibilidade e a segurança necessárias para o financiamento agrícola. Ela também apontou a insuficiência do atual Plano Safra diante da demanda do setor, ressaltando a necessidade urgente de se ampliar a subvenção ao crédito.


Durante o encontro, Tereza Cristina alertou que o seguro rural ainda não se consolidou no Brasil e defendeu que o instrumento seja tratado com prioridade máxima pelo governo. Nesse sentido, ela destacou uma proposta legislativa de sua autoria que prevê a criação de mecanismos essenciais, como um fundo de catástrofe para cobrir perdas extremas, além da ampliação da cobertura para atividades como a pecuária e a pesca.


“Instalamos uma mesa de negociação entre Senado e equipe econômica para soluções rápidas. Meu projeto de seguro rural, já aprovado no Senado, aguarda votação urgente na Câmara”, cobrou a senadora.


Em resposta às preocupações do setor, o ministro André de Paula afirmou que a sua pasta está fortemente comprometida em estruturar um Plano Safra robusto para o próximo ciclo. Contudo, o ministro fez uma ressalva importante: o volume de recursos, isoladamente, não garante a efetividade do crédito. Segundo ele, o passo mais importante é assegurar taxas de juros que tornem o financiamento de fato acessível na ponta, para o produtor.


O painel de discussões contou ainda com a participação de representantes estratégicos do mercado financeiro e de insumos, como o diretor da Corteva Agriscience, Augusto Moraes; o diretor financeiro e administrativo do Sicoob, Janderson de Miranda Facchin; e o diretor de Agronegócio do Itaú BBA, Pedro Fernandes.


Ao final do debate, o conselho reafirmou sua postura ativa na formulação de políticas públicas de longo prazo para o setor. “O nosso compromisso é defender as cadeias produtivas com soluções técnicas que blindem o Brasil dessa instabilidade”, finalizou Tereza Cristina

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