O mercado de milho começou 2026 pressionado pela combinação entre demanda fraca e excesso de oferta. De acordo com levantamento do Cepea, o Indicador ESALQ/BM&FBovespa voltou a operar no patamar de R$ 65 por saca de 60 kg — menor valor desde o fim de outubro de 2025.
A liquidez permaneceu baixa ao longo de janeiro. Compradores priorizaram o consumo de volumes contratados previamente e limitaram novas aquisições ao mínimo necessário. Esse comportamento reduziu a movimentação do mercado físico e reforçou a pressão sobre os preços.
Do lado da oferta, parte dos produtores se mostrou mais disposta a negociar com valores abaixo da média recente, diante da necessidade de liberar armazéns e do receio de novas quedas nas cotações.
Historicamente, o início do ano costuma oferecer algum suporte aos preços do milho, em função do avanço da colheita da soja, que aumenta a demanda por fretes e desloca a atenção logística para a oleaginosa. Em 2026, no entanto, esse fator não foi suficiente para sustentar o mercado.
Um dos principais elementos de pressão é o nível elevado dos estoques internos. Segundo o Cepea, são estimadas 12 milhões de toneladas armazenadas no início desta temporada — volume significativamente superior às 1,8 milhão de toneladas registradas no mesmo período do ano anterior e acima da média das últimas cinco safras, de 9,2 milhões de toneladas.
O cenário atual impõe desafios à comercialização. Com os armazéns ainda cheios e a demanda sem sinais de reação imediata, os preços do milho tendem a seguir pressionados no curto prazo. A retomada da liquidez dependerá do escoamento desses volumes, da movimentação no mercado externo e de eventuais mudanças no câmbio ou nos custos logísticos.
Agrolink - Aline Merladete

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