quinta-feira, 9 de abril de 2026

Fiesp analisa riscos da guerra no Irã para logística e produção nacional

 


Encontro, coordenado por Tereza Cristina, analisou preocupações com custos logísticos e incertezas no suprimento de insumos e destacou papel do setor privado para garantir a segurança alimentar e a produção nacional


Uma nova reunião do Conselho Superior do Agronegócio (Cosag) da Fiesp, que contou com a participação de membros do Conselho Superior de Comércio Exterior (Coscex) e de representantes da agroindústria brasileira, analisou os reflexos para o Brasil do conflito entre Irã e EUA/Israel.


A senadora Tereza Cristina (PP- MS), presidente do Cosag, destacou que o Oriente Médio é um destino estruturante para a produção brasileira e alertou para a escalada de custos causada pela tensão internacional, que ameaça pressionar para cima a inflação no Brasil.


“Mesmo se a guerra acabasse hoje, sentiríamos os efeitos por longo tempo no aumento de custos de produção para o agro, sobretudo nos preços de fertilizantes. Agosto vai ser um mês decisivo para o setor e para poder avaliar até onde irá esse desequilíbrio”, disse Tereza Cristina.


O embaixador Roberto Azevêdo, presidente do Coscex, enfatizou a necessidade do setor privado assumir um papel estratégico diante da inoperância dos organismos internacionais. Para Azevêdo, o Brasil deve ter como foco uma estratégia de mercado que garanta o suprimento sustentável de fertilizantes e proteja a competitividade nacional.


O presidente da ABPA (Associação Brasileira de Proteína Animal), Ricardo Santin, também participou do encontro e observou que o Oriente Médio absorve 30% das exportações brasileiras de frango, o que exige redirecionamentos logísticos pelo Cabo da Boa Esperança em um esforço para tentar manter o fluxo de 200 contêineres/dia até a região afetada pelo conflito.


Já o presidente da Yara Brasil, Marcelo Altieri, manifestou preocupação com a infraestrutura global de fertilizantes e destacou que 34% da produção mundial de ureia tem origem na zona de conflito.


O economista Marcos Troyjo, vice-presidente do Coscex, observou duas tendências que compõem o cenário atual. Na primeira delas, aparece o “ESG 2.0”, em que as siglas que moldam as expectativas passam a ser economia, segurança e geopolítica. Na segunda, o conceito de “policrise” ganha protagonismo e pode se transformar em oportunidade para o Brasil, que tem a chance de se consolidar como fornecedor confiável de alimentos e minerais críticos


A reunião reafirmou o compromisso da Fiesp de atuar como braço executivo na defesa das cadeias produtivas, com propostas para reduzir o impacto da instabilidade geopolítica no fortalecimento da produção industrial. “Tivemos um debate de altíssimo nível sobre um cenário global que é muito delicado”, finalizou a senadora.


Com informações do site da Fiesp

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