O aumento da qualidade e da expectativa de vida da população implicam em uma vida mais longa e saudável. Contudo, o envelhecimento acelerado torna mais comuns doenças que são desafios para a saúde pública global. É o caso da demência. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 55 milhões de pessoas vivem com demência no mundo. A cada ano, dez milhões de novos casos são registrado.
Demência é o nome dado a alterações cognitivas que são suficientes para atrapalhar as atividades cotidianas do paciente, sejam de nível mais simples ou complexos. Dentro desse grupo, estão as doenças mais graves, como o Alzheimer, a demência vascular e a demência por corpos de lewy (DCL).
— A demência é a consequência do envelhecimento do sistema como um todo, que causa morte do neurônio, seja por depósito de proteínas específicas ou por isquemia das regiões cerebrais. Dentro desse grupo, estão as doenças mais graves, como o Alzheimer, a demência vascular e outras demências mais raras. É um envelhecimento do corpo atrelado a uma dificuldade maior de degradação de proteínas específicas. Essa dificuldade aumenta para a maioria das pessoas e algumas delas desenvolvem demência, outras não – explica o Dr. Igor Campana, neurologista do Hospital Carlos Chagas, em Guarulhos (SP), do Grupo Amil.
De acordo com o especialista, todas as doenças que acometem o sistema cardiovascular podem estar relacionadas à demência. Fatores como tabagismo, obesidade, pressão alta, diabetes e dislipidemia contribuem para o desenvolvimento de algum déficit cognitivo. Isso porque destroem neurônios funcionais, causando perda de funcionalidade no paciente. Por isso, o Dr. Igor destaca que é fundamental o controle dessas comorbidades ao longo da vida na intenção de prevenir ou fazer o manejo da demência:
— Hoje em dia, sabemos que o principal fator relacionado a reduzir o risco ou a progressão da doença é a atividade física de forma regular e intensidade moderada. O que preconizamos são, no mínimo, 150 minutos de exercício por semana. O ideal seriam 300 minutos, o que equivale a uma hora por dia na semana – afirma o neurologista.
Dr. Igor alerta que os sinais da demência aparecem em pequenas ações do dia a dia, como perda de memória, esquecimento de compromissos e atividades básicas, como esquecer o fogão aceso ou a roupa dentro da máquina de lavar. Deslizes no cotidiano, como perder o controle do gasto de dinheiro ou repetição de perguntas também são considerados importantes sinais da doença.
— É preciso procurar um médico e nunca colocar a culpa na idade. Muitas famílias consideram um determinado esquecimento como normal, e quando o paciente vai ao consultório, já chega com queixas mais consistentes e em uma transição para uma demência moderada – aponta ele.
Diagnóstico
O diagnóstico, de forma geral, acontece dentro da clínica. Relatos da família e exames complementares são levados em conta na consulta. Além disso, exames neurológicos e neuropsicológicos ajudam a identificar a doença.
— Tendo um quadro que indica demência, o médico exclui fatores que podem levar a um esquecimento, como infecção, e avalia causas reversíveis disso, como HIV, sífilis, problemas no fígado, na tireoide ou ligados à vitamina B12. Depois, o médico realiza um exame de imagem intracraniana e fecha o diagnóstico – detalha o médico.
O tratamento de um paciente diagnosticado com demência pode conter apenas uma mudança no estilo de vida ou ter o pilar medicamentoso. Além da atividade física e do controle de comorbidades, já mencionados, é fundamental manter uma dieta mediterrânea, baseada em frutas, legumes e peixes, manter interação social e convívio com amigos e familiares.
— Depois que você tem um diagnóstico de demência, o quadro é degenerativo e progressivo. Apesar disso, existem muitas intervenções para melhorar a qualidade de vida do paciente, como uso de medicações, atividade física, fisioterapia. Todas essas abordagens podem reduzir a velocidade de progressão e permitir uma melhora da qualidade de vida na terceira idade – afirma o Dr. Igor.
Tratamento multidisciplinar e com a família
Após o diagnóstico, começa um percurso complexo para o paciente e quem o acompanha. De início, quando ele ainda é funcional, a rotina é mais simples. Mas quando ele entra em um estágio avançado e perde habilidade com atividades básicas, como comer, ir ao banheiro e tomar banho, exige mais cuidado.
— Os remédios, às vezes, ajudam na questão do comportamento. Mas é uma gestão que depende mais da família do que dele. É preciso orientar o acompanhante a ter paciência, não confrontar o paciente, porque pode gerar mais ansiedade e irritação. É uma fase difícil, o paciente vai ficar agitado, mais agressivo. Quando você tem um paciente com demência, tem que tratar tanto ele quanto os familiares, que vão determinar tudo.
O especialista explica também que é preciso fazer um acompanhamento multidisciplinar do paciente, que pode precisar de fonoaudiólogo, fisioterapeuta e psicólogo. A rede de Assistência da Amil, segundo ele, dispõe deste tratamento, em que a conexão entre os profissionais da saúde acontece de maneira direta e simples.
— O médico que acompanha o paciente tem que fazer essa gestão e os encaminhamentos para os especialistas. Muitas vezes vão precisar ser internados e vão precisar de bom suporte após a alta hospitalar, como por exemplo fisioterapia domiciliar. Essa é uma rede que prezamos bastante. Isso é essencial - encerra o neurologista.
Por
Amil
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