Divulgação FIESP
A Fiesp realizou nesta segunda-feira, 03/08, uma reunião conjunta entre os Conselhos Superiores do Agronegócio (Cosag), de Infraestrutura (Coinfra), Comércio Exterior (Coscex) e Economia (Cosec) da entidade para discutir as necessidades e oportunidades para o crescimento da agroindústria brasileira. O encontro abordou os principais desafios econômicos e logísticos que o setor enfrenta para contribuir com o desenvolvimento do país.
“Estamos enfrentando o que tenho chamado reiteradamente de uma verdadeira tempestade perfeita”, afirmou, na abertura da reunião, a senadora Tereza Cristina, presidente do Cosag. A parlamentar alertou que, apesar da safra recorde estimada em 358 milhões de toneladas neste ano, o produtor rural enfrenta uma queda na rentabilidade, custos elevados de insumos e juros de mercado entre 18% e 20%. A senadora defendeu a urgência do fortalecimento do seguro rural e a criação do Fundo Garantidor para atenuar o endividamento de cerca de R$ 180 bilhões em dívidas estressadas.
Em seguida, o presidente do Coinfra, Marcos Lutz, apontou que o conjunto de portos, hidrovias e rodovias conhecido como Arco Norte já escoa 40% da produção nacional, mas o sistema de infraestrutura carece de investimentos em dragagem e sinalização. Lutz lembrou que a instabilidade regulatória e gargalos em portos como Santos geram custos adicionais expressivos que restringem a competitividade nacional.
Na área internacional, o presidente do Coscex, embaixador Roberto Azevêdo, traçou um panorama do quadro de fragmentação geopolítica global e afirmou que o Brasil tem um papel estratégico como provedor de segurança alimentar. Para explorar as oportunidades que esse cenário proporciona, o embaixador recomendou que a agroindústria busque ampliar a rastreabilidade do que é produzido e a diversificação de mercados para lidar com uma realidade de barreiras não tarifárias e exigências ambientais crescentes.
O encontro contou também com a participação do presidente do Cosec, Roberto Campos Neto, que analisou o aumento da dívida global e o impacto da inteligência artificial no futuro da produtividade. Campos Neto destacou que, diante de uma dívida bruta próxima a 82% do PIB, o Brasil precisa dar sinais de credibilidade institucional com uma mensagem mais clara de compromisso com um ajuste fiscal que garanta o equilíbrio econômico nos próximos anos.
Ao longo da reunião, os participantes do encontro reafirmaram o compromisso de desenvolver ações conjuntas por meio da diplomacia empresarial para promover medidas que contribuam com a estruturação do agronegócio brasileiro e a superação de gargalos nacionais e impasses internacionais.
Com informações do site da Fiesp

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