Foto: Reprodução
O transporte coletivo voltou a ser pauta em Campo Grande, desta vez com uma paralisação dos motoristas que reivindicam o pagamento do vale atrasado. Segundo o Consórcio Guaicurus, responsável pela operação desde 2012, o atraso no benefício, no valor de R$ 1,3 mil, ocorreu por falta de repasses milionários da Prefeitura, que, segundo a empresa, comprometeram seu fluxo financeiro.
A paralisação começou por volta das 4h30 da manhã de ontem (21), quando cerca de mil motoristas deixaram de circular. Após uma hora e meia de paralisação, o serviço foi retomado. Em nota, o diretor-presidente do Consórcio, Themis de Oliveira, afirmou que o atraso decorre de um débito superior a R$ 9 milhões por parte do poder público. “O Consórcio lamenta profundamente o transtorno causado e esclarece que enfrenta severas restrições financeiras, com insuficiência de recursos para cumprir integralmente obrigações salariais, fiscais e contratuais”, declarou.
Divergências sobre os repasses
O presidente da Câmara Municipal, vereador Epaminondas Vicente Silva Neto (Papy – PSDB), afirmou ter recebido três alertas sobre o risco de paralisação, enviados nos dias 20 de setembro, 10 e 20 de outubro. Segundo ele, o atraso nos repasses referentes ao transporte de estudantes das redes públicas já soma R$ 6 milhões por parte do Estado e mais de R$ 3 milhões da Prefeitura.
A Prefeitura de Campo Grande, no entanto, nega qualquer pendência. Em nota, o Executivo afirmou estar “rigorosamente em dia com todas as suas obrigações de pagamento junto ao Consórcio Guaicurus” e alegou que o financiamento do transporte envolve outros entes públicos e a tarifa paga pelos usuários.
Conforme Papy, o governo do Estado não tem repassado os valores porque a Prefeitura, responsável pela intermediação, estaria impedida de emitir a certidão exigida para a liberação dos recursos.
Assembleia e novas medidas
O Sindicato dos Motoristas convocou uma assembleia geral para a próxima segunda-feira (27), a fim de deliberar sobre possíveis novas mobilizações diante do atraso no pagamento do adiantamento salarial.
A Câmara Municipal também se movimenta. Após reunião da Comissão Permanente de Transporte e Trânsito, os vereadores decidiram acelerar a criação do Fundo Municipal de Mobilidade e Trânsito, que visa garantir previsibilidade nos repasses e evitar crises como a atual.
MP e TCE acompanham situação
O Ministério Público de Mato Grosso do Sul informou que os indiciamentos sugeridos no relatório final da CPI do Transporte Coletivo ainda estão sob análise. O documento, protocolado no dia 3 de outubro, foi distribuído às promotorias do Consumidor e do Patrimônio Público. A CPI recomendou o indiciamento de ex-diretores da Agereg, da Agetran e do próprio Consórcio Guaicurus.
O Tribunal de Contas do Estado (TCE-MS) também foi procurado pela reportagem para informar o andamento do Termo de Ajustamento de Gestão (TAG) firmado em 2020 sobre o transporte público, mas não houve resposta até o fechamento desta edição.
Histórico de paralisações
Esta foi a quarta paralisação do transporte coletivo em seis anos. Em 2019, os motoristas cruzaram os braços contra cortes na educação e mudanças previdenciárias. Em 2022, uma greve foi deflagrada pelo mesmo motivo de agora: atraso no pagamento do vale. Já em 2023, nova paralisação ocorreu por reajustes salariais e benefícios, resolvida após mediação entre o Consórcio, o Executivo e o sindicato.
Com os mesmos impasses se repetindo, o sistema de transporte coletivo de Campo Grande segue no centro de disputas políticas, desequilíbrios financeiros e incertezas para motoristas e usuários.
Fonte: Portal Correio do Estado

Nenhum comentário:
Postar um comentário