domingo, 13 de setembro de 2026

Vice-presidente assume comando após afastamento da cúpula da Santa Casa

 


                                             O vice-presidente Heitor Miguel Scheibeler assume Santa Casa. (Foto: Reprodução)





A prisão de três nomes do primeiro escalão deixou a Santa Casa de Campo Grande sob um novo comando. Vice-presidente da instituição, Heitor Miguel Scheibeler passa a conduzir o hospital após a Operação Antidotum atingir de uma só vez a presidente e os responsáveis pelas áreas administrativa e financeira.


Alir Terra Lima, presidente da Santa Casa, Alessandro Dias Junqueira, diretor administrativo, e Rinaldo Halme Romano, diretor financeiro, estão entre os seis alvos de prisão preventiva da operação deflagrada na sexta-feira (11).


A lista inclui ainda Paulo Duarte Cruz, Beatriz Lemes da Silva, ligada à direção da Santa Casa Saúde, e Monique Gregório, responsável por serviços de digitalização de prontuários.


A troca no comando acontece em meio a uma investigação que coloca sob suspeita a movimentação de milhões de reais dentro da instituição. O MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) calcula, até o momento, prejuízo de pelo menos R$ 4,9 milhões.


Parte desse valor estaria relacionada à digitalização de prontuários. Um contrato de R$ 5,4 milhões previa a execução do serviço durante três anos, mas a apuração aponta que pagamentos teriam sido realizados sem a entrega correspondente. O prejuízo estimado nessa frente é de R$ 1,4 milhão apenas no primeiro ano.


Os investigadores também miram negócios da operadora Santa Casa Saúde com empresas apontadas como integrantes de um mesmo grupo econômico. Cerca de R$ 9,6 milhões foram pagos somente em 2025, sendo que pelo menos R$ 3,5 milhões são tratados como prejuízo à instituição.


O Gecoc (Grupo Especial de Combate à Corrupção) e o Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) também apuram se contratos, pagamentos e prestações de contas deixaram de ser apresentados aos órgãos responsáveis pela fiscalização, como o Conselho Fiscal do hospital e a CGE (Controladoria-Geral do Estado).


Pressão sobre a nova administração


Heitor assume a linha de frente justamente quando a Santa Casa enfrenta pressão também na Justiça. Uma ação civil pública pede intervenção temporária no hospital, com possibilidade de nomeação de administrador provisório ou junta interventiva pelo prazo inicial de 180 dias. A medida ainda depende de decisão judicial.


Mesmo com a operação e a mudança administrativa, a instituição informou que os atendimentos de pacientes internados e daqueles com procedimentos previamente agendados continuam normalmente.


As prisões decretadas durante a investigação têm caráter preventivo e não significam condenação.


Heitor já fazia parte do núcleo de gestão


Apesar de assumir agora maior responsabilidade, Heitor Scheibeler não é um nome novo na administração do hospital. Ele ocupa funções de direção na Santa Casa há pelo menos seis anos.


Em 2020, já aparecia como diretor-secretário adjunto e, dois anos depois, exercia a função de secretário. Quando Alir Terra Lima chegou à presidência, em 2023, Heitor permaneceu no grupo dirigente como diretor-secretário.


A continuidade foi confirmada na eleição interna de novembro de 2025, quando integrou a chapa “Por Amor à Santa Casa”, escolhida para mais um mandato. Ele também foi eleito para o Conselho de Administração.


A diferença agora é o tamanho da responsabilidade. Com presidente e diretores administrativo e financeiro fora da gestão, o vice-presidente passa a ocupar o centro das decisões enquanto a maior unidade hospitalar de Mato Grosso do Sul atravessa os desdobramentos da investigação. (Com informações do Correio do Estado)

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