sábado, 4 de abril de 2026

Malhação do Judas mantém tradição popular e mistura crítica com humor

 



A tradição da “Malhação do Judas” voltou a movimentar bairros em diversas cidades brasileiras neste Sábado de Aleluia, reunindo moradores em um ritual que mistura cultura popular, crítica social e momentos de descontração.


A prática, comum em várias regiões do país, consiste na confecção de bonecos que representam Judas Iscariotes — personagem bíblico conhecido por trair Jesus Cristo. No entanto, ao longo dos anos, o costume ganhou novos significados e passou a incorporar críticas bem-humoradas a figuras públicas, situações do cotidiano e até problemas enfrentados pela comunidade.


Em muitos bairros, os bonecos são pendurados em postes ou árvores e, posteriormente, “malhados” — ou seja, espancados simbolicamente pela população — antes de serem rasgados ou queimados. Em alguns casos, há também a leitura de “testamentos”, textos satíricos que distribuem “heranças” fictícias, arrancando risos do público.


Morador há mais de 20 anos do bairro, o aposentado João Ferreira destaca a importância da tradição. “É uma brincadeira antiga, mas também é uma forma de descontrair e até protestar. A gente coloca ali o que está incomodando”, afirma.


Além do aspecto cultural, a Malhação do Judas também reforça o senso de comunidade, reunindo famílias, crianças e vizinhos em torno de uma celebração coletiva.


Apesar do clima festivo, especialistas alertam para a necessidade de cuidados durante a realização da atividade, especialmente em relação ao uso de fogo e à segurança em vias públicas.


A tradição, trazida ao Brasil pelos colonizadores portugueses, segue viva e adaptada aos tempos atuais, mostrando que manifestações populares continuam sendo importantes espaços de expressão cultural e social.

Fonte: Karina Abreu

Nenhum comentário: