quinta-feira, 2 de abril de 2026

Irã promete ataques devastadores contra EUA e Israel após ameaças de Trump

 

                                           F umaça provocada por explosões no centro de Teerã, capital do Irã, durante o conflito dos EUA e de Israel com o país persa - Shadati - 1º.abr.26/Xinhua


  • Anúncio foi feito após o presidente americano dizer que bombardeios levariam Teerã de volta à 'Idade da Pedra'

  • Exército diz que centros estratégicos não foram destruídos e que oponentes desconhecem estrutura militar persa





O Exército do Irã prometeu nesta quinta-feira (2) realizar ataques devastadores contra Estados Unidos e Israel. O anúncio foi feito em resposta à ameaça feita pelo presidente americano, Donald Trump, de levar o país de volta à "Idade da Pedra" com bombardeios massivos nas próximas semanas.


"Com a confiança em Deus Todo-Poderoso, esta guerra continuará até sua humilhação, sua desonra, seu arrependimento definitivo e sua rendição", disse o comandante operacional do Exército iraniano, Khatam al-Anbiya, em comunicado na TV estatal. "Esperem ações ainda mais contundentes, amplas e devastadoras de nossa parte."


Durante o pronunciamento, Al-Anbiya afirmou que Washington e Tel Aviv têm informações incompletas sobre a capacidade militar do Irã e que os centros estratégicos de produção de mísseis, drones de longo alcance e sistemas de defesa aérea do país não foram destruídos.


Os locais que vocês acreditam ter atacado são insignificantes, e nossa produção militar estratégica ocorre em regiões que vocês desconhecem completamente e nunca conseguirão alcançar."


Horas depois, Trump publicou em sua plataforma, a Truth Social, um vídeo de dez segundos que mostra uma ponte, envolta em nuvens densas de fumaça, explodindo e caindo após ser atingida.


"A maior ponte do Irã vem abaixo para nunca mais ser usada —muito mais virá! É hora do Irã fazer um acordo antes que seja tarde mais e não reste nada do que ainda poderia se tornar um grande país", escreveu, sem indicar o local ou dar contexto sobre o ataque


O comandante-chefe do Exército persa, Amir Hatami, disse mais cedo à mídia estatal iraniana que, diante do aumento de tropas americanas na região do Golfo, os quartéis-generais operacionais monitoram "os movimentos inimigos com o máximo de pessimismo e precisão" e se preparam para contra-atacar diante de qualquer ofensiva. "Nenhuma tropa inimiga deve sobreviver se os adversários tentarem uma operação terrestre."


A Guarda Revolucionária do Irã afirmou, também à TV estatal, ter atacado instalações de aço e alumínio ligadas aos EUA em países do Golfo como forma de aviso de que, se as indústrias do país forem atingidas novamente, a "próxima resposta de Teerã será mais dolorosa".


A força de elite do regime iraniano também disse ter atingido uma sede da Amazon no Bahrein, cumprindo a ameaça de atacar empresas americanas localizadas em países aliados dos EUA.


Os ataques são é uma retaliação após as duas maiores usinas siderúrgicas do Irã —Khuzestan e Mobarakeh— anunciarem paralisação das atividades por bombardeios sofridos desde a semana passada.



Também nesta quinta, o presidente da França, Emmanuel Macron, afirmou a jornalistas durante uma visita de Estado à Coreia do Sul que a guerra dos EUA e de Israel contra o Irã não resolve a questão do programa nuclear de Teerã e defendeu negociações diplomáticas, técnicas e aprofundadas como solução.


O líder francês criticou o comportamento de Donald Trump em relação à Otan após o americano ter ameaçado, de novo, deixar a aliança militar por estar insatisfeito com o que classifica de falta de apoio à guerra contra o Irã.


"Se criamos a cada dia dúvidas sobre nosso compromisso, esvaziamos sua essência", disse Macron. "É uma responsabilidade que as autoridades americanas estão assumindo hoje ao dizer a cada manhã que faremos isso ou não faremos aquilo. Fala-se demais, e vai-se em todas as direções. [...] É preciso ser sério, e quando se quer ser sério não se pode dizer a cada dia o contrário do que se disse na véspera."


Macron também chamou de irrealista a opção de realizar uma operação militar, como desejam os EUA, para liberar à força o estreito de Hormuz, passagem marítima de um quinto do petróleo mundial bloqueada pelo Irã desde o início da guerra.


A reabertura será discutida nesta quinta, em uma reunião virtual presidida pelo Reino Unido e da qual participam cerca de 35 países, incluindo França, Alemanha, Itália, Canadá e Emirados Árabes Unidos —os EUA não devem participar. O encontro acontece depois que Trump afirmou que era responsabilidade dos países que dependem da via marítima garantir que ela estivesse operando.


Inicialmente, os países europeus recusaram a exigência de Trump de enviar suas Marinhas para a área devido ao temor de serem arrastados para o conflito, mas a preocupação com o impacto do aumento do custo de energia na economia global os levou a formar uma coalizão para discutir caminhos para a liberação do estreito assim que um cessar-fogo for acordado.


Em resposta ao pedido de Trump de que os países afetados pelo bloqueio tomem o controle do estreito de Hormuz, a China deu nome aos culpados. "A maior causa das interrupções na navegação pelo estreito de Hormuz são as operações militares ilegais dos EUA e de Israel contra o Irã", disse a porta-voz da chancelaria chinesa, Mao Ning, em entrevista coletiva. "Meios militares não podem resolver o problema, e a escalada de conflitos não atende aos interesses de nenhuma das partes."


Pequim também definiu os ataques dos EUA e de Israel contra o Irã como "uma violação clara do direito internacional".


O presidente da Rússia, Vladimir Putin, disse nesta quinta que espera um fim rápido para o conflito no Oriente Médio e que está pronto para fazer tudo o que for necessário para ajudar a restaurar a paz na região, segundo a agência de notícias Interfax.

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