sábado, 17 de janeiro de 2026

Voo nacional de Ratinho Jr. no PSD esbarra em alianças locais de seis estados

 





Partido de Kassab deve estar no palanque de Lula ou de outro candidato ao Planalto

Empenhado em viabilizar seu nome para disputar o Palácio do Planalto este ano, o governador do Paraná, Ratinho Júnior (PSD), deve encontrar dificuldades para ter o apoio de lideranças do seu próprio partido em pelo menos seis estados. Nesses locais, os diretórios já estão comprometidos com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que pretende concorrer à reeleição, ou outros candidatos. A pretensão de Ratinho esbarra em alianças locais, especialmente em redutos considerados estratégicos para o partido no Sudeste, Nordeste e Norte do país.


A primeira sinalização mais clara sobre a candidatura nacional feita por Ratinho ocorreu na última quarta-feira. Na saída de um evento no Palácio Iguaçu, o governador afirmou que “aceitaria o desafio” se for o escolhido para “liderar um novo projeto para o Brasil”. Na prática, o movimento marca o interesse da sigla em lançar um nome na disputa, que ganhou força após o anúncio do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) como pré-candidato. O presidente da sigla, Gilberto Kassab, é secretário na gestão estadual de Tarcísio de Freitas (Republicanos), que também trabalha para se viabilizar na corrida nacional.


Os desafios do paranaense começam por Minas Gerais, onde a sigla terá como candidato ao Palácio Tiradentes o vice-governador Matheus Simões. Ele deixou o Partido Novo no ano passado, mas decidiu manter o apoio ao governador Romeu Zema (Novo), que tem se colocado na disputa presidencial. Zema também tem sido cortejado para vice em uma chapa da direita, mas descartou publicamente a ideia.


Já no Rio, o prefeito da capital, Eduardo Paes (PSD), deverá estar no mesmo palanque que Lula, mesmo após a aliança ter sido colocada em dúvida por acenos feitos por ele ao bolsonarismo ao longo dos últimos meses. A aproximação com o governador Cláudio Castro (PL) e críticas do vice-prefeito, Eduardo Cavaliere à atuação do PT na segurança incomodaram o partido do presidente, Nesta semana, no entanto, Paes esteve em Brasília e buscou reiterar a lealdade ao petista, como mostrou a newsletter “Jogo Político”, do GLOBO.


Aliado ao PT no Nordeste

O PSD também estará junto a Lula na Bahia, onde a sigla permanecerá na base do governador Jerônimo Rodrigues (PT), depois de ter sido liberada pelo presidente nacional do partido, Gilberto Kassab, para manter o arranjo estadual. A aliança será mantida mesmo em meio às articulações para a formação de uma chapa puro-sangue para o Senado, composta pelo senador Jaques Wagner e o ministro da Casa Civil, Rui Costa. O acordo deixa de fora o senador Ângelo Coronel (PSD), que tem pretensão de buscar a recondução ao cargo, mas tende a não provocar mudanças na aliança entre os dois partidos.


O presidente estadual do PSD, senador Otto Alencar, disse, por meio de sua assessoria, que “sempre apoiou Lula na Bahia e que não teria porque desfazer essa aliança e apoiar outro candidato, mesmo sendo um nome do próprio partido”.


No Piauí, outro estado governado pelo PT há mais de uma década, o palanque para Lula deverá ser formado em uma chapa com espaço para o projeto de reeleição do governador Rafael Fonteles (PT) e para a candidatura ao Senado do deputado federal Júlio César (PSD), aliado do ministro do Desenvolvimento Social, Wellington Dias (PT). Em Pernambuco, a governadora Raquel Lyra, candidata à reeleição pelo PSD, disputa o apoio do PT com o prefeito de Recife, João Campos (PSB).


Incerteza no Ceará

Uma composição diferente, contudo, deverá ser feita no Ceará, onde a sigla está na base do governador Elmano de Freitas (PT) e tem o presidente do diretório local, o ex-deputado estadual Domingos Filho, como secretário do Desenvolvimento Econômico. Em nota, a direção estadual afirmou que “deverá se manter junto a Elmano, mas, no plano nacional, acompanhará a orientação do presidente Gilberto Kassab, o que significa apoiar a candidatura do Ratinho.


Por 

Rafaela Gama

 — Rio de Janeiro

Nenhum comentário: