segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

Trump diz que Irã procurou EUA para negociar após relatos de mais de 500 mortos em protestos

 


O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou neste domingo, 11, que a liderança do Irã procurou o governo americano para buscar “negociações”, após ameaças reiteradas de intervenção militar caso Teerã continuasse a reprimir protestos no país.


Segundo Trump, o contato ocorreu em meio à intensificação da repressão contra manifestações que se espalham pelo Irã há cerca de duas semanas. Organizações de direitos humanos relatam pelo menos 544 mortos desde o início dos atos.


“Os líderes do Irã ligaram ontem”, disse Trump a jornalistas a bordo do Air Force One. “Uma reunião está sendo organizada. Eles querem negociar.” O presidente, no entanto, afirmou que os Estados Unidos “talvez tenham de agir antes de uma reunião”.


Os protestos começaram após o aumento do custo de vida, mas rapidamente se transformaram em um desafio direto ao regime teocrático instaurado no país desde a Revolução Islâmica de 1979. Apesar de um bloqueio da internet que já dura vários dias, vídeos divulgados nas redes sociais mostram grandes manifestações em Teerã e em outras cidades.


O Centro para os Direitos Humanos no Irã (CHRI), com sede nos Estados Unidos, informou ter recebido relatos confiáveis indicando que centenas de manifestantes foram mortos durante o atual período de repressão. “Um massacre está em andamento”, afirmou a entidade.


A organização Iran Human Rights (IHR), sediada na Noruega, disse ter confirmado ao menos 192 mortes, mas destacou que o número real pode ser significativamente maior. “Relatos não verificados indicam que várias centenas — e, segundo algumas fontes, mais de 2 mil pessoas — podem ter sido mortas”, afirmou o grupo.


Segundo a IHR, mais de 2.600 manifestantes foram presos até o momento.


Um vídeo que circulou neste domingo mostra dezenas de corpos empilhados do lado de fora de um necrotério no sul de Teerã. As imagens, cuja localização foi confirmada pela agência AFP como sendo Kahrizak, mostram corpos envoltos em sacos pretos, enquanto familiares tentam identificar parentes desaparecidos./AFP

Estadão Conteúdo

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