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Governo destaca abertura de mercados industriais e agrícolas após assinatura em Assunção. Acordo abre portas para exportadores de MS e projeta alta de 10% na balança comercial.
O acordo de parceria entre Mercosul e União Europeia, assinado em 17 de janeiro de 2026 em Assunção, no Paraguai, promete impulsionar o comércio bilateral ao eliminar tarifas sobre 92% do valor das exportações brasileiras para o bloco europeu. De acordo com reportagem do jornal O Estado de S. Paulo reproduzida em veículos como Terra, o pacto entra em vigor no primeiro dia do mês seguinte à conclusão dos trâmites internos de ratificação pelos parlamentos nacionais e pelo Parlamento Europeu.
Exportações em MS atingem US$ 3 bi com destaque para celulose, milho e carne bovina – Agência de Noticias do Governo de Mato Grosso do SulBenefícios para o Brasil
O governo brasileiro celebra a liberalização tarifária ampla em setores industriais e agrícolas, com a UE abrindo mercado para produtos como carnes bovina, suína e de aves, açúcar, etanol, milho e suco de laranja, via cotas tarifárias preferenciais. Para o Brasil, isso cobre 92% das vendas aos europeus, enquanto o Mercosul oferece acesso a 91% dos bens e 85% do valor das importações da UE, preservando setores sensíveis como automotivo com prazos estendidos de até 30 anos para veículos elétricos.
Próximos passos
No Brasil, o tratado segue para aprovação no Congresso Nacional, enquanto na UE depende do Parlamento Europeu e possivelmente de parlamentos nacionais. A vigência bilateral permite que Brasil e UE apliquem o acordo assim que ratificados, sem aguardar outros do Mercosul. Entidades como Fiesp elogiam o marco para investimentos e pedem celeridade na tramitação legislativa.
Reações do setor privado
A Fiesp destacou oportunidades para café, ferro, aço, calçados e têxteis, com tarifas zeradas em até 10 anos, mas alerta para a necessidade de superar o “Custo Brasil” para maximizar ganhos. O acordo reforça o estoque de US$ 290 bilhões em investimentos europeus no Brasil em 2024 e integra compromissos de sustentabilidade, como o Acordo de Paris.
Acordo UE-Mercosul abre portas para exportadores de MS e projeta alta de 10% na balança comercial
Mato Grosso do Sul deve registrar crescimento de cerca de 10% na balança comercial com a União Europeia nos próximos dois anos, impulsionado pela redução ou eliminação de tarifas sobre cerca de 5 mil itens exportados, alinhados ao perfil agroindustrial do estado. O acordo beneficia diretamente produtos líderes como celulose (1 milhão de toneladas exportadas em 2025, US$ 627 milhões), farelo de soja (917 mil toneladas, US$ 310 milhões) e carne bovina (14 mil toneladas, US$ 126 milhões), que já representam 81% das vendas estaduais para o bloco.
Setores mais impactados
A celulose sul-mato-grossense, principal item exportado para a UE, ganha ainda mais competitividade com tarifas zero ou reduzidas, ampliando volumes e receitas em cidades como Três Lagoas e Água Clara. Carne bovina de padrão europeu, couro para Itália, citrus, frango, suína e etanol também se beneficiam de cotas tarifárias e desgravações graduais em prazos de 4 a 10 anos, ajudando a mitigar riscos como a salvaguarda chinesa de 1,1 milhão de toneladas anuais.
Desafios e oportunidades
Produtores precisam adaptar-se a regras ambientais rigorosas da UE, como proibição de produtos de áreas desmatadas após 31/12/2020 e exigências de rastreabilidade e sanidade, o que demanda investimentos em certificações para pequenos e médios. Por outro lado, importações de equipamentos para celulose (US$ 492 milhões em 2025) devem baratear com redução tarifária, estimulando modernização e agregação de valor.
Perspectivas locais
Famasul e Semadesc veem o pacto como diversificação de mercados, reduzindo dependência da China (50% das exportações de MS) e elevando previsibilidade para planejamento. Em 2025, MS já superou US$ 1,3 bilhão em vendas para a UE, com superávit de US$ 812 milhões, configurando o bloco como segundo destino mais importante.

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