Barra de ferro com mancha de sangue da vítima, utilizada para matar o idoso, após esfaqueá-lo. (Foto: Divulgação/PMMS).
Autor de 23 anos disse à polícia que cometeu o crime por impulso e tentou esconder o corpo do idoso catador de recicláveis com panos e terra no quintal da própria casa.
Nicolas Cunha Gomes, de 23 anos, ajudante de pedreiro, confessou à Polícia Civil ter atraído para pegar recicláveis, assassinado e enterrado Ramão Lopes de 75 anos no quintal de casa, na noite desta segunda-feira (06/10), no bairro Portal Caiobá, em Campo Grande. O jovem declarou que cometeu o crime porque “sentiu vontade de matar”.
De acordo com o boletim de ocorrência, Nicolas estava sentado em frente à residência quando avistou a vítima passando de bicicleta elétrica, usada para recolher recicláveis. Ele então chamou o idoso, dizendo que havia latinhas de alumínio para doar nos fundos do imóvel.
Assim que o homem entrou, o autor afirmou ter sentido o impulso de matá-lo. Antes de agir, girou uma câmera de segurança para que não registrasse o crime. Em seguida, iniciou as agressões com um chute, derrubando o idoso no chão, aplicou um golpe de “mata-leão” e, quando a vítima tentou reagir, usou uma faca para atingi-la com pelo menos três golpes no tórax. Mesmo com o homem caído, o jovem ainda o golpeou cerca de dez vezes com uma barra de ferro, encontrada pela polícia ainda suja de sangue.
Após o homicídio, Nicolas tentou ocultar o corpo, cavando uma cova rasa no quintal e cobrindo o local com panos e terra. Ao chegarem em casa, a mãe de Nicolas e o irmão perceberam a terra do quintal remexida e estranharam o comportamento dele. Ao cavarem, encontraram o corpo do idoso e acionaram a polícia.
Durante a perícia, os policiais localizaram um celular com marcas de sangue próximo ao local. Enquanto o aparelho era examinado, ele tocou: quem ligava era o filho da vítima, que reconheceu o telefone como pertencente ao pai desaparecido.
O pai do suspeito contou à polícia que o jovem era usuário de drogas e fazia uso de medicação controlada. Nicolas recebeu voz de prisão e foi encaminhado à Delegacia de Polícia Civil. O caso foi registrado como homicídio qualificado e ocultação de cadáver e segue sob investigação.
Família acredita que catador foi morto por causa de bicicleta elétrica
Familiares e amigos de Ramão Lopes, idoso de 75 anos assassinado e enterrado no quintal de uma casa no bairro Portal Caiobá, em Campo Grande, conversaram com o Campo Grande News e descreveram o catador de recicláveis como um homem generoso e querido por todos.
“Todo mundo conhecia meu pai. Ele era uma pessoa generosa, ajudava todo mundo”, contou, emocionada, uma das filhas da vítima.
Segundo os parentes, Ramão coletava latinhas apenas para se manter ativo e costumava ajudar vizinhos cortando grama. “Ele dizia que, se ficasse parado, ficaria doente”, relatou um dos filhos, que chegou a tentar convencê-lo a parar de trabalhar nas ruas.
A família acredita que o autor do crime, Nicolas Cunha Gomes, de 23 anos, tenha matado o idoso para roubar sua bicicleta elétrica. Eles contaram ao Campo Grande News que, há cerca de dois meses, Ramão teve outro veículo levado por um ladrão e, com esforço conjunto, os familiares compraram uma nova bicicleta para ele.
Amigos também lamentaram a perda e confirmaram a versão de que o crime pode ter sido motivado por roubo. “Ele vinha aqui há uns três anos para trazer latinhas. Era muito extrovertido e acabou virando nosso amigo. Tínhamos até marcado de pescar na semana que vem. Ele era muito gente boa; acredito que queriam roubar a bicicleta dele”, disse um colega de trabalho do depósito de reciclagem, que preferiu não se identificar.

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