Há trajetórias que parecem pintadas pela própria vida — com luz, cor e superação. A história da artista visual Amanda Monteiro é uma dessas narrativas. Depois de décadas conciliando o Direito e as artes plásticas, ela ressurge com força criativa na exposição “Passeio da Alma”, aberta ao público desde 23 de setembro no Museu da Imagem e do Som (MIS), em Campo Grande, onde permanece até 31 de outubro.
Mais do que uma mostra, “Passeio da Alma” é um convite à introspecção. Cada obra expressa o renascimento de Amanda após um período difícil marcado pelas sequelas da Covid-19. “Com muita fé e gratidão, superei as sequelas da doença transformando esse tempo sombrio em um convite à esperança, à vida e às cores”, afirma a artista.
Formada em Artes Visuais pela UFRGS e pós-graduada em Cerâmica na Espanha, Amanda construiu uma vida dupla entre a advocacia e a pintura. Viúva aos 26 anos, mergulhou no Direito, sem nunca abandonar os pincéis. Hoje, aposentada e prestes a completar 70 anos, ela celebra o reencontro com sua vocação. “Agora posso viver para a arte, que sempre foi meu refúgio e minha verdade”, diz.
As telas exibidas no MIS são um reflexo desse renascimento. Marcadas por explosões cromáticas e contrastes harmônicos, elas traduzem emoção, espiritualidade e vitalidade. “As cores sempre foram um fascínio na minha vida”, confidencia. “Cada pincelada é um caminho onírico por onde a alma passeia.”
Apesar de já ter participado de exposições no Brasil e no exterior — inclusive com menção honrosa em uma mostra na Argentina, em 1992, durante as comemorações dos 500 anos do descobrimento das Américas —, esta é sua primeira exposição individual. “Conto uma história que pertence a um contexto próprio, que não se dilui entre outros artistas”, explica.
O público tem respondido de forma emocionante. Mais de 500 pessoas já visitaram a mostra, e Amanda se comove ao lembrar de uma conversa com um visitante:
“Um senhor chamado João me disse que uma das telas o transportou de volta ao tempo em que serviu no Haiti. Fiquei profundamente tocada. A arte tem esse poder de reconectar as pessoas às suas próprias memórias”, relata.
Além do impacto emocional, o projeto tem um forte viés educativo. Escolas da rede municipal têm visitado o MIS com atividades que aproximam crianças do universo das cores e da criatividade. “Elas descobrem um mundo novo. É gratificante ver o encantamento nos olhos delas”, comenta Amanda, que acompanha pessoalmente parte dessas visitas.
Para a artista, “Passeio da Alma” é também um testemunho de fé. “Sem Deus não somos nada. Sou grata pela vida, pelas superações e pela chance de compartilhar minha arte com os outros. É uma mensagem de esperança”, resume.
Com novos planos para o futuro, Amanda sonha em ensinar. “Quero transmitir o que aprendi às novas gerações. Não há satisfação maior do que ensinar aquilo que amamos”, afirma.
A exposição “Passeio da Alma” pode ser visitada gratuitamente até 31 de outubro, no Museu da Imagem e do Som (MIS) — Av. Fernando Corrêa da Costa, 559, Centro, Campo Grande, das 7h30 às 17h30.

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