quarta-feira, 19 de fevereiro de 2025

PGR denuncia Bolsonaro, generais e ex-chefe da Marinha por tentativa de golpe

 



A PGR (Procuradoria-Geral da República) denunciou nesta terça-feira, dia 18 de fevereiro, o ex-presidente Jair Bolsonaro pela tentativa de golpe de Estado em 2022.



Bolsonaro foi denunciado pelos crimes:


Golpe de Estado


Abolição violenta do Estado Democrático de Direito


Organização criminosa


Se a denúncia for aceita pelo STF (Supremo Tribunal Federal), Bolsonaro se tornará réu e passará a responder a um processo penal no tribunal.


Também foram denunciados o ex-ministro e ex-vice na chapa de Bolsonaro, o general Braga Netto; e o ex-ajudante de ordens, Mauro Cid.


Dentre os investigados por tentativa de golpe de Estado são:


Alexandre Rodrigues Ramagem (PL-RJ), ex-diretor da Abin e deputado federal


Crimes: Golpe de Estado, Abolição violenta do Estado Democrático de Direito, Organização Criminosa.



Almir Garnier Santos, ex-comandante da Marina


Crimes: Golpe de Estado, Abolição violenta do Estado Democrático de Direito, Organização Criminosa.


Anderson Gustavo Torres, ex-ministro da Justiça


Crimes: Golpe de Estado, Abolição violenta do Estado Democrático de Direito, Organização Criminosa.


Augusto Heleno Ribeiro Pereira, ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional


Crimes: Golpe de Estado, Abolição violenta do Estado Democrático de Direito, Organização Criminosa.


Jair Messias Bolsonaro, ex-presidente da República


Crimes: Golpe de Estado, Abolição violenta do Estado Democrático de Direito, Organização Criminosa.


Mauro César Barbosa Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro



Crimes: Golpe de Estado, Abolição violenta do Estado Democrático de Direito, Organização Criminosa.


Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira


Crimes: Golpe de Estado, Abolição violenta do Estado Democrático de Direito, Organização Criminosa.


Walter Souza Braga Netto


Crimes: Golpe de Estado, Abolição violenta do Estado Democrático de Direito, Organização Criminosa.


Relatório da PF


A PGR se baseou no relatório da Polícia Federal que, em novembro do ano passado, concluiu pelo indiciamento de Bolsonaro e outras 36 pessoas, incluindo:


o general Braga Netto, ex-ministro do governo Bolsonaro e candidato a vice-presidente na chapa de Bolsonaro em 2022;


o tenente-coronel Mauro Cid, ajudante de ordens de Bolsonaro e delator;


o ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional, general Augusto Heleno;


o policial federal e hoje deputado Alexandre Ramagem (PL-RJ), ex-diretor da Agência Brasileira de Informações (Abin); e

Valdemar da Costa Neto, presidente do Partido Liberal (PL), legenda de Bolsonaro.


Em dezembro, a PF fez um relatório complementar, indiciando outras três pessoas e fazendo com que o número total de indiciados na investigação chegasse a 40.


Núcleos


À época, a PF concluiu pela existência de 6 núcleos golpistas:


Núcleo de Desinformação e Ataques ao Sistema Eleitoral: responsável pela disseminação de mentiras sobre as urnas eletrônicas para descredibilizar o processo eleitoral.


Núcleo Responsável por Incitar Militares: elegia alvos para ampliar os ataques pessoais contra militares em posição de comando que resistiam às investidas golpistas.



Núcleo Jurídico: fazia assessoramento e elaboração de minutas de decretos com argumentos jurídicos e doutrinários que atendessem aos interesses golpistas. Elaborou, por exemplo, minutas de atos inconstitucionais, como a proposta encontrada na casa de Anderson Torres.


Núcleo Operacional de Apoio: executava medidas para manter as manifestações em frente aos quartéis militares que se formaram após o resultado das eleições, incluindo a mobilização, logística e financiamento de militares das forças especiais, os “kids pretos”, em Brasília..


Núcleo de Inteligência Paralela: coletava dados e informações que pudessem auxiliar a tomada de decisões sobre o golpe de Estado e monitorava o deslocamento e localização do ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes, do presidente recém-eleito Luiz Inácio Lula da Silva e de seu vice Geraldo Alckmin.


Núcleo Operacional de Medidas Coercitivas: encarregado de anular adversários do golpe, inclusive com uso de violência, com previsão de assassinato ou captura de Lula, Alckmin, do ministro Alexandre de Moraes e de quem mais apoiasse as decisões do Supremo Tribunal Federal contra os interesses do grupo.


Entre os crimes pelos quais os investigados foram indiciados estão


Golpe de Estado: 4 a 12 anos de prisão;


Abolição violenta do Estado democrático de Direito: 4 a 8 anos de prisão;


Integrar organização criminosa: 3 a 8 anos de prisão.


Além do inquérito sobre o golpe de estado, o ex-presidente também já foi indiciado no ano passado em outras duas investigações da Polícia Federal: o caso das joias sauditas e a fraude no cartão de vacinas.

G1

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