terça-feira, 18 de fevereiro de 2025

CNJ deve votar hoje regras gerais para uso da IA na Justiça

 



O CNJ (Conselho Nacional de Justiça) deve concluir, nesta terça-feira, dia 18 de fevereiro, a votação de uma proposta que vai estabelecer como será o uso da Inteligência Artificial (IA) na Justiça brasileira.



O texto traz as normas gerais para que as instâncias da Justiça adotem modelos de inteligência artificial — e será aplicado em todo o Poder Judiciário.


O conjunto de orientações prevê, por exemplo, que a tecnologia tem que ser compatível com os direitos previstos na Constituição.


Também fixa mecanismos de monitoramento e fiscalização, assim como a necessidade de garantir a segurança jurídica e o respeito aos direitos de privacidade na Lei Geral de Proteção de Dados.


A resolução também deixa claro que o uso da ferramenta deve ser de forma auxiliar e complementar.


Na prática, a IA não pode ser um instrumento autônomo de tomada de decisões — a última palavra é do juiz, que será integralmente responsável pelo que determinar.

Fantástico testa DeepSeek e explica susto causado pelo aplicativo chinês no mundo da Inteligência Artificial


A proposta é resultado de um Grupo de Trabalho que funcionou no âmbito do Conselho, liderado pelo conselheiro Luiz Fernando Bandeira de Mello Filho.


O grupo teve discussões sobre o tema ao longo de um ano. Realizou, em setembro de 2024, uma audiência pública para debater a questão.


O voto do relator, favorável ao texto, foi apresentado em sessão no último dia 11.


"Talvez o aspecto mais relevante seja uma preocupação muito clara de garantir ao cidadão que ninguém vai ser julgado por robô. A resolução deixa claro o tempo todo a necessidade de supervisão humana", explicou o conselheiro na ocasião.


"A ideia é não paralisar os tribunais e não deixar de ter uma ferramenta que pode ser essencial para combater um dos maiores problemas de que o Judiciário é acusado, que é a morosidade", explicou o relator.

A resolução segue as seguintes orientações:


as instâncias do Judiciário devem adotar modelos de inteligência artificial que sejam compatíveis com a proteção de direitos fundamentais previstos na Constituição;


a solução tecnológica escolhida deve prever mecanismos que permitam monitoramento e fiscalização do trabalho realizado;


deve ser garantida a segurança jurídica;


o uso de dados de processos devem respeitar as regras de privacidade da Lei Geral de Proteção de Dados;


os tribunais devem implantar medidas para prevenir que a tecnologia viabilize o surgimento de tendências discriminatórias.


Os modelos de IA adotados pelo Poder Judiciário não podem:



impedir a revisão humana dos dados usados e os resultados propostos;


fazer juízos de valor de traços da personalidade, características ou comportamentos de pessoas naturais. A ideia é proibir o uso destas informações para tentar avaliar ou prever que um cidadão vai cometer ou será reincidente em crimes. Mais ainda, evitar que isso seja usado para fundamentar decisões judiciais;


classificar ou ranquear pessoas naturais, com base no seu comportamento ou situação social ou ainda em atributos da sua personalidade, para a avaliação da validade de seus direitos, méritos judiciais ou testemunhos;


O texto cria também um Comitê Nacional de Inteligência Artificial do Judiciário, que terá 13 integrantes e vai funcionar no âmbito do próprio CNJ.


O Comitê poderá, entre outras atribuições, impedir ou limitar o uso de soluções de IA, considerando os critérios de segurança e risco das aplicações.


Por G 1

Nenhum comentário: