segunda-feira, 2 de junho de 2025

Produtores rurais têm até esta segunda-feira (2) para entregar Declaração de Rebanho em MS

                                             Foto: Divulgação
 



Termina nesta segunda-feira, dia 2 de junho, o prazo para que produtores rurais de Mato Grosso do Sul realizem a entrega da Declaração de Rebanho e Atualização Cadastral referente ao ano de 2025. O alerta é da Iagro (Agência Estadual de Defesa Sanitária Animal e Vegetal), que reforça que o procedimento é obrigatório e não haverá prorrogação.


Até o momento, pouco mais da metade dos produtores do Estado cumpriu a exigência. Quem não fizer a declaração até hoje pode enfrentar penalidades como multas, bloqueio na emissão da Guia de Trânsito Animal (GTA) e outras restrições sanitárias, que impactam diretamente o transporte e a comercialização dos animais.


A obrigatoriedade vale para todos os criadores, independentemente do tamanho do rebanho. A medida abrange as seguintes espécies: bovinos e bubalinos, aves de subsistência, suínos de subsistência, caprinos, ovinos, equídeos (cavalos, asininos e muares), além de abelhas, bicho-da-seda e animais aquáticos.


A declaração pode ser feita de forma online, por meio do sistema e-Saniagro, disponível no site www.iagro.ms.gov.br, ou presencialmente nas unidades locais da Iagro. Os endereços também estão disponíveis na mesma página.


A atualização cadastral é essencial para a vigilância sanitária, prevenção de doenças e manutenção da sanidade animal no Estado. A Iagro alerta que, devido ao grande volume de acessos no último dia, o sistema pode apresentar instabilidade. Por isso, a orientação é que o produtor não deixe para a última hora.

Tribunal suspende recuperação judicial de gigante do agro

 

                                             Foto: Divulgação


A desembargadora Marilsen Andrade Addario, da Segunda Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), suspendeu, por liminar, o processamento da recuperação judicial do Grupo Safras. A decisão, publicada na última quinta-feira (30), atendeu a um agravo de instrumento movido por credores, como Celso Izidoro Vigolo e Agropecuária Locks Ltda, que questionaram a autorização dada pela 4ª Vara Cível de Sinop.



Conforme a relatora, há indícios contundentes de fraudes no pedido de recuperação, com ausência de documentos essenciais, livros contábeis incompletos, omissão de ações judiciais e falta de comprovação da viabilidade econômico-financeira do grupo. A magistrada destacou ainda o uso de informações distorcidas, tentativa de blindagem patrimonial e manipulação do quórum de credores, incluindo a participação de empresas recém-criadas e sem atividade real.


Outro ponto crítico envolve a posse da planta industrial de Cuiabá, considerada essencial para o grupo. O imóvel, no entanto, pertence à massa falida da Olvepar, representada pela Carbon Participações Ltda., que obteve decisão favorável para retomada do bem. A desembargadora reforçou que o juízo da recuperação não tem competência sobre o imóvel, cuja posse foi transferida à Safras sem autorização judicial.


A decisão também levou em conta manifestações do Ministério Público, que apontaram ocultação de contratos, desvio de bens e sonegação de informações. A própria AJ1, responsável pela constatação prévia, reconheceu que as suspeitas não foram afastadas. Com isso, o TJMT determinou a suspensão da recuperação e abertura de incidentes processuais para apurar possíveis fraudes e blindagem patrimonial. As informações foram divulgadas pelo portal olharjuridico.com.br.



Flamengo assume a liderança do Brasileirão ao golear o Fortaleza

 

                                            (Foto: Baggio Rodrigues/FEC)




Um show do Flamengo na noite deste domingo. Diante de mais de 60 mil torcedores no Maracanã, o Rubro-Negro massacrou o Fortaleza com uma goleada de 5 a 0, pela 11ª rodada do Campeonato Brasileiro. Arrascaeta, Éverton Araújo, Luiz Araújo (duas vezes) e Michael marcaram os gols dos mandantes.


Beneficiado pela derrota do Palmeiras diante o Cruzeiro, em Minas Gerias, o Flamengo assumiu a liderança, com 24 pontos. Já o Fortaleza est


Primeiro Tempo


O primeiro tempo teve domínio flamenguista, pois o Fortaleza exibiu apenas uma postura bem passiva. Tanto que logo aos cinco minutos o Flamengo quase abriu o placar. Luiz Araújo recebeu a bola na entrada da área e bateu colocado uma boa defesa de João Ricardo. Aos 13 minutos, o goleiro do time cearense voltou a salvar seu time, dessa vez de forma mais espetacular. Alex Sandro tabelou com Cebolinha e cruzou, Bruno Henrique chutou de primeira e João Ricardo se esticou todo para salvar.


De tanto insistir o Flamengo abriu o marcador aos 29 minutos e foi uma bela jogada. Léo Ortiz deu um passe de trivela para furar a defesa cearense. Arrascaeta penetrou no meio dos zagueiros e deslocou João Ricardo.


O Flamengo ainda teria chance de ampliar aos 40 minutos quando, após tabela com Éverton Araújo, Varela chutou para o goleiro salvar.


Já o Fortaleza pouco assustou e quando o fez foi em jogadas de bola parada. Na mais perigosa delas, aos 37 minutos, Pochetino cobrou falta, Rossi deu rebote, mas Prior mandou para fora.


 Segundo Tempo


Logo aos dois minutos do segundo tempo o Flamengo ampliou. Após rebatida da defesa do Fortaleza, Éverton Araújo pegou rebote na entrada da área e acertou um belo chute para vencer o goleiro.


O lance deixou o Fortaleza perdido e o Flamengo aproveitou para chegar ao terceiro aos 10 minutos. Bruno Henrique recebeu na área e bateu, o goleiro deu rebote, Arrascaeta então ajeitou e Luiz Araújo deu um chute certeiro para estufar a rede.


O triunfo virou goleada aos 25 minutos, quando Varela cruzou da direita e Michael, sem ser incomodado pela defesa cearense, completou para o fundo da rede. Três minutos depois, Zé Wilson perdeu a bola para Pedro na intermediária. O atacante rolou para Luiz Araújo, que chutou com perfeição para marcar seu segundo gol no jogo.


Depois disso o que se viu foi um Fortaleza perdido, buscando sem muita confiança o gol de honra. Já o Flamengo administrou a vantagem e ainda rodou alguns jogadores que entraram nos minutos finais.


Agora o Flamengo volta as suas baterias para o Super Mundial de Clubes. A estreia será no dia 16 de junho, contra o Espérance, da Tunísia. O Fortaleza ainda joga pelo Brasileirão antes do recesso para o Mundial. O time recebe o Santos no dia 12 de junho, no Castelão, em Fortaleza (CE).

domingo, 1 de junho de 2025

Stanley Fischer, economista que ajudou a amenizar crises financeiras globais, morre aos 81 anos

 

                                              Foto: Reprodução



Stanley Fischer, economista e banqueiro central cuja erudição e estilo cordial e consensual ajudaram a orientar as políticas econômicas globais e a amenizar crises financeiras durante décadas, faleceu neste sábado, 31, em sua casa em Lexington, Massachusetts. Ele tinha 81 anos



A causa da morte foram complicações decorrentes da doença de Alzheimer, de acordo com seu filho Michael.


Fischer atuou como presidente do Banco Central de Israel de 2005 a 2013, como vice-presidente do Federal Reserve (o BC dos Estados Unidos) de 2014 a 2017 e como vice-diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI) de 1994 a 2001, quando a instituição lutava para conter o pânico financeiro no México, na Rússia, na Ásia e na América Latina.


Como professor do MIT, ele foi orientador de tese ou mentor de uma gama extraordinária de futuros líderes, incluindo Ben S. Bernanke, que mais tarde se tornou presidente do Fed e tembém foi vencedor do prêmio Nobel; Mario Draghi, presidente do Banco Central Europeu; e Kazuo Ueda, governador do Banco do Japão.


Entre seus ex-alunos também estavam duas pessoas que presidiram o Conselho de Assessores Econômicos dos Estados Unidos (Christina D. Romer e N. Gregory Mankiw), bem como Lawrence H. Summers, que atuou como secretário do Tesouro e presidente da Universidade Harvard.


“Ele teve um papel importante na formação de toda uma geração de economistas e formuladores de políticas”, disse Bernanke em uma entrevista em fevereiro de 2024 para este obituário. Isso incluiu estimular o interesse inicial de Bernanke pela macroeconomia e pela política monetária.


Em 1998, o The New York Times descreveu Fischer como “a pessoa mais próxima que a economia mundial tem de um médico de campo de batalha”. Ele ajudou a negociar um pacote de resgate para a Rússia por telefone celular enquanto estava em cima de uma duna de areia em Martha’s Vineyard, onde passava férias.


As soluções que Fischer prescreveu para as crises financeiras estavam amplamente alinhadas com o Consenso de Washington, um conjunto de “melhores práticas” compilado em 1989 por John Williamson, um economista britânico.


Essas diretrizes exigiam abertura para livres mercados, comércio global e investimento estrangeiro, entre outras coisas. Joseph E. Stiglitz, economista ganhador do Prêmio Nobel e professor da Universidade de Columbia, acusou o FMI de agir como um “governante colonial” e, em uma entrevista ao Times em 2002, disse que o fundo e o Banco Mundial estavam tentando impor abordagens padrão que não levavam em consideração as diferentes condições de cada país.


Em uma palestra sobre globalização em 2003, Fischer defendeu de maneira geral a abordagem do FMI, argumentando que a abertura ao comércio e ao investimento estrangeiros havia tirado multidões de pessoas da pobreza na China e na Índia.


Fischer foi um líder na atualização das teorias do economista britânico John Maynard Keynes, cujos apelos por intervenção governamental para orientar a economia ressoaram da década de 1930 à década de 1960, mas foram duramente atacados na década de 1970. Naquela época de alta inflação e baixo crescimento econômico, uma combinação conhecida como estagflação, economistas da Universidade de Chicago e de outros lugares argumentaram que a intervenção governamental provavelmente seria contraproducente.


A pesquisa de Fischer na década de 1970 concentrou-se nessa divisão entre os economistas keynesianos e a fé da Escola de Chicago no mercado. Se o desemprego fosse muito alto, argumentavam os keynesianos, os bancos centrais poderiam estimular a economia fazendo com que a oferta monetária crescesse mais rapidamente. Os economistas da Escola de Chicago rebateram que tal estímulo levaria os trabalhadores a esperar uma inflação mais alta e a exigir aumentos salariais; o resultado seria uma inflação mais rápida e nenhum aumento sustentável no emprego.


Em um artigo de 1977, “Contratos de longo prazo, expectativas racionais e a regra da oferta monetária ideal”, Fischer argumentou que os salários eram “rígidos” por conta dos contratos de longo prazo e não se ajustavam imediatamente quando um banco central mudava sua política. Assim, escreveu ele, um programa de estímulo bem sincronizado poderia impulsionar a criação de empregos no curto prazo sem provocar inflação.


“Há alguma margem de manobra para as autoridades monetárias” na condução da economia, concluiu ele.


Seu trabalho nessa área ajudou a formar um amplo consenso entre economistas favoráveis à intervenção sob o rótulo de Nova Economia Keynesiana.


Fischer também foi economista-chefe do Banco Mundial no final da década de 1980 e vice-presidente do Citigroup no início dos anos 2000. Ele fracassou em uma tentativa improvável de se tornar o chefe do FMI em 2011, perdendo para Christine Lagarde, da França, em parte porque excedeu o limite de idade para o cargo. Na época, ele argumentou que estava “cheio de vigor” aos 67 anos e deveria receber uma isenção do limite máximo de 65 anos.


Fischer era influente em parte devido à sua natureza diplomática, escreveu Olivier Blanchard, um de seus ex-alunos e mais tarde colega no MIT, em 2023. Mesmo quando o campo da macroeconomia “passava por guerras religiosas, não havia um sentimento de ‘nós contra eles’, mas sim uma abertura a pontos de vista alternativos”, escreveu Blanchard.


Depois de fazer uma pausa na carreira acadêmica no final da década de 1980 para trabalhar no Banco Mundial, Fischer ficou fascinado pelo que às vezes chamava de seu papel no “mundo real”. Ele adorava viajar pelo mundo e lidar com as exigências aceleradas de encontrar soluções para crises econômicas que afetavam bilhões de vidas.


Stanley Fischer nasceu em uma família judia em 15 de outubro de 1943, em Lusaka, na Rodésia do Norte, então um protetorado britânico, que se tornou Zâmbia após a independência em 1964. Ele cresceu parcialmente em Mazabuka, uma cidade a sudoeste de Lusaka, onde seus pais administravam uma loja de artigos diversificados. Seu pai, Philip Fischer, era um imigrante da Letônia. Sua mãe, Ann (Kopelowitz) Fischer, era descendente de lituanos. A família mudou-se para a Rodésia do Sul, atual Zimbábue, quando Stanley tinha cerca de 13 anos.


Ele se juntou a um grupo de jovens judeus e, em 1960, visitou Israel como parte de um programa para jovens líderes. Quando era estudante do ensino médio, ele desenvolveu um interesse precoce por economia. Durante as férias de verão, ele leu “A Teoria Geral do Emprego, Juros e Moeda”, de Keynes. “Fiquei imensamente impressionado”, disse Fischer ao The Washington Post em 2013, “não porque eu tenha entendido, mas pela qualidade do inglês”


Na London School of Economics, onde Fischer se matriculou em 1962, ele obteve os diplomas de bacharelado e mestrado em economia. Para seus estudos de doutorado, mudou-se para o MIT, cujo corpo docente de economia incluía Paul A. Samuelson e Robert M. Solow, ambos vencedores do Prêmio Nobel de Economia.


Fischer casou-se com Rhoda Keet em 1965. Eles se conheceram na adolescência em um grupo de jovens judeus. Ela faleceu em 2020. Além de seu filho Michael, Fischer deixa outros dois filhos, David e Jonathan, e nove netos.


Depois de obter seu doutorado no MIT em 1969, Fischer mudou-se para a Universidade de Chicago como pesquisador de pós-doutorado e professor assistente. “No MIT, você fazia o trabalho matemático”, disse ele ao The New York Times em 1998, “e em Chicago você questionava como isso se aplicava ao mundo real”. Seu trabalho em Chicago lhe deu uma compreensão mais clara das teorias de livre mercado daquela escola e da crítica à economia keynesiana.


Ele retornou ao bastião mais keynesiano do MIT em 1973 como professor associado. Uma de suas primeiras atribuições foi ministrar um curso de economia monetária em conjunto com Samuelson. “Isso era intimidante”, disse Fischer mais tarde. “Ele insistia em pegar o giz e explicar as coisas melhor do que eu.”


Aos poucos, Fischer se tornou um ímã para os alunos de pós-graduação. Ele os incentivava a visitá-lo todas as semanas, “especialmente se não tivessem nada a dizer”. Às vezes, ele orientava os alunos enquanto corria com eles ao longo do rio Charles.


Seu mandato como primeiro vice-diretor-gerente do FMI - ou número 2 do chefe da agência, Michel Camdessus - coincidiu com crises no México, Tailândia, Coreia do Sul, Rússia e Brasil.


Depois de ingressar no Citigroup em 2002, Fischer atuou como vice-presidente, ajudou a avaliar os riscos dos países e supervisionou as operações estrangeiras. Ele saiu no início de 2005 para iniciar um mandato de oito anos como chefe do Banco Central de Israel, o Banco de Israel, com o título de governador. Fischer recebeu a cidadania israelense, mantendo seu passaporte americano, e fez questão de falar hebraico durante seu mandato.


Ele ajudou a proteger a economia israelense da crise financeira de 2008-09, em parte agindo rapidamente para reduzir as taxas de juros. Quando o investimento estrangeiro elevou o valor do shekel (a moeda de Israel) e ameaçou prejudicar os exportadores israelenses, Fischer e seus colegas do Banco Central compraram moedas estrangeiras para limitar a alta do shekel. Era gratificante, disse ele, ser reconhecido por estranhos em uma praia e ser agradecido por seus serviços a Israel.


O presidente americano Barack Obama o nomeou vice-presidente do Federal Reserve no início de 2014, tornando-o o vice de Janet L. Yellen. Durante seus três anos no cargo, ele geralmente apoiou Yellen, mas estava mais ansioso do que ela para retornar a políticas mais normais após as taxas de juros extraordinariamente baixas impostas pelo Fed para combater a crise financeira. Fischer renunciou ao Fed em outubro de 2017, em parte para cuidar de sua esposa, que tinha Demência por Corpos de Lewy, uma doença degenerativa.


Durante uma palestra na Universidade de Oxford em 2012, Fischer disse que aprendeu na década de 1990 que as crises financeiras podem ser previstas, mas normalmente “levam muito mais tempo para se desenvolver do que você espera e, quando acontecem, acontecem muito mais rapidamente do que você espera”. Após esse longo período de calmaria, disse ele, “um dia os mercados se voltam contra você e você fica em apuros”.


Este conteúdo foi traduzido com o auxílio de ferramentas de Inteligência Artificial e revisado por nossa equipe editorial

EconomiaCrédito deve crescer 8,5% em 2025, indica pesquisa da Febraban

 

                                                       Foto: Divulgação



A Pesquisa de Economia Bancária e Expectativas da Federação Brasileira de Bancos (Febraban) indica que o crédito deverá crescer 8,5% em 2025. O resultado do levantamento, feito com 22 bancos entre 14 e 19 de maio, mostra certa estabilidade ante o anterior, que foi de 8,6% em março, mantendo a perspectiva de alguma desaceleração do crescimento do crédito ao longo do ano.


A pesquisa mostra certa estabilidade com relação à expectativa de crescimento da carteira com recursos livres, com 8,1%. Na pesquisa anterior, o percentual foi de 8,2%.


Sobre o crédito destinado às famílias, a pesquisa revelou que pouco mais da metade (55%) dos analistas consultados acredita em crescimento próximo a dois dígitos ao longo do ano. O índice é pouco superior ao levantamento de março, quando 50% deles se manifestaram sobre o assunto.


“No geral, apesar do aumento relevante da incerteza no cenário internacional e a continuidade do ciclo de elevação da taxa Selic desde a realização da última pesquisa, as revisões para o crescimento do crédito foram bastante marginais”, avalia Rubens Sardenberg, diretor de Economia, Regulação Prudencial e Riscos da Febraban.


 


O diretor da entidade disse ainda que a percepção é de que o crédito, assim como a atividade – ainda que mostrem alguma desaceleração ao longo do ano – devem seguir com expansão interessante em 2025, “especialmente no caso das famílias beneficiadas pelo mercado de trabalho aquecido, contínuo crescimento dos benefícios sociais, além do lançamento do programa Crédito ao Trabalhador”.

Pantanal Film abre cadastro para cineclubes de todo o Mato Grosso do Sul

 



Catálogo da Film Commission estadual pretende mapear os cineclubes na capital e no interior


A Pantanal Film abriu os formulários de cadastro para cineclubes por todo o estado de Mato Grosso do Sul. O objetivo é mapear ações e coletivos de entusiastas do audiovisual no interior e na capital. O catálogo é uma ação da Pantanal Film, a Film Commission de Mato Grosso do Sul, uma das frentes de trabalho da gestão de patrimônio da Fundação de Cultura do estado.


Para fazer o cadastro, basta preencher o formulário, não é necessário nenhum login específico, apenas deixar os contatos e responder o questionário sobre o cineclube. Os dados serão disponibilizados para um levantamento sobre os cineclubes por todo estado, algo que servirá para o planejamento de ações futuras da Pantanal Film com os coletivos.


Na capital, vários cineclubes se reúnem no Museu da Imagem e do Som de Mato Grosso do Sul. Para o diretor do espaço, Márcio Veiga, “a atuação dos cineclubes reforça o papel de difusão e democratização da produção audiovisual no estado de Mato Grosso do Sul, que vem se despontando como um importante polo produtor.” O gestor ainda pontua que “o fomento a iniciativas como os cineclubes faz com que mais pessoas tenham acesso e despertem para o interesse de produzir e consumir o cinema local, reforçando o debate estético, político e o papel social, cultural e econômico do audiovisual.”


O cadastro de cineclubes se junta ao catálogo de produtoras, profissionais e estudantes do audiovisual sul-mato-grossense. A intenção é fortalecer o banco de dados da Pantanal Film para consulta para projetos e planejamento de ações futuras. A expectativa é de que em breve todas as informações coletadas para divulgação estejam disponíveis no site da Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul.


Para saber mais sobre as ações da Pantanal Film, acompanhe as notícias no site e nas redes da Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul. Para acessar os cadastros de cineclubes, profissionais, produtoras e estudantes, clique nos links abaixo:

Ben Lerner analisa por que tanta gente diz odiar poesia a ponto de decretar sua morte

 

                                            escritor e poeta americano Ben Lerner - Matt Lerner/Divulgação


O escritor americano Ben Lerner estava exausto do mesmo discurso recorrente nos cadernos literários dos Estados Unidos: a cada nova década, alguém anunciava com certo cinismo a morte da poesia.


Para ele, essa conversa não só era infrutífera como também perdia o aspecto mais interessante: o fato de que o suposto "ódio" à poesia revela, na verdade, um desejo frustrado —uma expectativa de que ela nos ofereça algo impossível, fora do alcance da linguagem.


Em entrevista à Folha, Lerner fala sobre as ideias que estruturam o ensaio que nasceu dessas reflexões, "O Ódio pela Poesia", lançado no Brasil pela editora Fósforo.


Longe de ser uma provocação gratuita, o título revela uma tensão produtiva. "As pessoas que dizem odiar poesia, na verdade, mantêm com ela uma relação dialética. Elas a recusam, mas ao mesmo tempo esperam dela algo a mais", diz.


Essa ambiguidade, segundo Lerner, está no coração da poesia moderna: ela promete o que não pode cumprir. John Keats, por exemplo, escreveu um poema em que o tempo é suspenso —algo literalmente impossível. E mesmo um poema considerado ruim, segundo ele, como o "O Desastre no Tay Bridge", de William McGonagall, pode servir de ponto de partida para que o leitor formule sua própria ideia do que seria um bom poema.


A poesia, portanto, serviria como campo de teste para nossas demandas mais profundas —estéticas, éticas e até políticas.


"A linguagem serve para testar o quanto da nossa experiência pode ser compartilhada", afirma Lerner. É justamente por isso que a poesia continua sendo uma forma relevante de expressão, segundo o autor, já que ela lida com aquilo que escapa à lógica do mercado, da produtividade, da clareza utilitária.


Nesse sentido, "O Ódio pela Poesia" também se conecta aos três romances do autor — "Estação Atocha" (Rádio Londres, 2018), "10:04" (Rocco, 2018) e "Topeka School" (Rocco, 2020)— que exploram os limites da arte, da linguagem e da subjetividade em uma cultura saturada de discursos instrumentais.


Se a poesia falha em dar ao leitor o que promete, talvez seja exatamente aí que resida seu valor. Lerner cita Samuel Beckett: "Tente de novo. Fracasse de novo. Fracasse melhor." Para ele, a poesia é uma forma de falhar, mas de um modo generoso e aberto à imaginação.


Questionado sobre o contexto brasileiro, o autor enxerga possibilidades próprias de fracasso criativo e resistência. Em um país marcado por tantas desigualdades, a poesia pode ser tanto um gesto de recusa ao "status quo" quanto uma forma de projetar o que ainda não existe.


No Brasil, além de "O Ódio pela Poesia" e de seus três romances traduzidos, também é possível ter contato com o trabalho de Lerner nas coletâneas poéticas "Ângulo de Guinada" (e-galáxia, 2015), "Percurso Livre Médio" (Jabuticaba, 2020) e, mais recentemente, "As Luzes" (Círculo de Poemas, 2025).


Ao contrário de um lamento sobre o fim de um gênero literário, "O Ódio pela Poesia" é, segundo o próprio autor, uma defesa apaixonada.


Lerner entende que o valor da poesia está justamente em sua impossibilidade —e, na contramão dos obituaristas da poesia, ele aposta na força de seu fracasso como condição para imaginar outros mundos.

O Ódio pela Poesia

  • Preço R$ 67,90 (80 págs.), R$ 47,50 (ebook)
  • Autoria Ben Lerner
  • Editora Fósforo
  • Tradução Leonardo Froés


Carolina Faria

Folha de São Paulo