domingo, 1 de março de 2026

Alvo de Trump e de Netanyahu, Khamenei liderou teocracia por mais de 35 anos

 

                                             /Reuters

  • Líder supremo chegou ao poder em 1989 e criou o chamado 'eixo de resistência' contra EUA e Israel

  • Torturado durante a monarquia pré-Revolução Islâmica, Khamenei se sustentou por meio dos militares



O líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Hosseini Khamenei, 86, foi morto neste sábado (28) pelos ataques dos Estados Unidos e de Israel ao país. O veterano da Revolução Iraniana de 1979 comandou o país persa por mais de 35 anos, tendo sido apenas o segundo líder da República Islâmica, estabelecida por seu antecessor, Ruhollah Khomeini (1902-1989).


A morte de Khamenei aconteceu em meio ao bombardeio articulado por Washington e Tel Aviv contra o Irã. Trump afirmou que a ação tinha como objetivo defender o povo americano e eliminar ameaças do regime iraniano. Ele disse ainda que pretende destruir o arsenal de mísseis do Irã e garantir que o país não obtenha uma arma nuclear. Porém, deixou nas mãos dos iranianos a tomada do governo após a conclusão da ação militar.


É improvável que o Irã siga inalterado após perder uma de suas personalidades mais emblemáticas. Ao longo de décadas à frente do regime e com poder total sobre o Executivo, o Legislativo, o Judiciário e as Forças Armadas, Khamenei tentou controlar a sociedade iraniana pós-revolucionária para mantê-la no curso estabelecido por Khomeini —isto é, um Estado regido por clérigos islâmicos xiitas com pouca participação popular direta.


Internamente, ele presidiu brutais repressões a protestos contra a teocracia ao longo dos anos —a mais recente, e mais grave, matou pelo menos 7.000 pessoas, com organizações de direitos humanos estimando dezenas de milhares de mortos.


Na política externa, Khamenei cultivou rivalidades com as monarquias árabes sunitas do Oriente Médio e foi o principal arquiteto do chamado "eixo da resistência" contra Israel e os Estados Unidos.


Também dependia dele o controverso programa nuclear iraniano, o qual defendia como uma maneira de garantir a independência do país — já os EUA acusavam o líder de almejar uma arma nuclear, principal motivação para os ataques americanos iniciados por Donald Trump.


De turbante negro e barba branca, Khamenei era uma figura fugidia sobre a qual pouco se sabia, para além de todo o mise-en-scène. Calado, gostava de poesia, de cachimbo e de cuidar do jardim. Dizia que "Os Miseráveis", de Victor Hugo, era o melhor livro já escrito.


Era conhecido, também, pelos raivosos discursos contra seus inimigos, em especial Israel e os Estados Unidos. Sob seu comando, o Irã baseou sua política externa em uma completa rejeição a esses adversários, incluindo a construção da rede de grupos armados que se opunham às duas potências.


Essa teia de facções armadas e grupos terroristas patrocinados por Teerã tinha o objetivo de pressionar Israel, os EUA e rivais como a Arábia Saudita em várias frentes: na Faixa de Gaza, com o Hamas e outros grupos; no Líbano, com o Hezbollah; no Iêmen, com os houthis; e no Iraque, com milícias xiitas.


A morte de Khamenei, se confirmada, ocorre em um momento em que o eixo erguido pelo aiatolá está em ruínas. Parte importante da coalizão, o regime do ditador Bashar al-Assad caiu na Síria com a vitória de grupos apoiados pela Turquia.


Já a capacidade das facções financiadas por Teerã de conter Israel foi sistematicamente destruída por Tel Aviv desde os ataques terroristas de 7 de outubro de 2023 —ao custo de mais de 70 mil palestinos mortos em Gaza e quase 4.000 libaneses mortos na guerra com o Hezbollah, entre outros.


Figura importante da Revolução Iraniana, Khamenei se aproximou do aiatolá Khomeini quando estudou sob as orientações de seu mentor nos anos 1960. Preso diversas vezes pelo regime do xá Reza Pahlavi, Khamenei foi torturado em 1963 por se opor à monarquia iraniana, apoiada pelos EUA.


Pessoas próximas a Khamenei diziam que vinha daí sua incontornável aversão aos EUA e a Israel, dado que o serviço secreto iraniano era apoiado pela CIA americana e pelo Mossad israelense.


Em 1981, logo após a revolução, Khamenei sobreviveu a uma tentativa de assassinato orquestrada por um grupo iraniano de extrema esquerda. Sua mão direita ficou paralisada pelo resto da vida. "Não vou precisar dela", disse, segundo os relatos. "É o suficiente que meu cérebro e língua funcionem." Meses depois, foi eleito presidente do Irã com 97% dos votos, cargo que ocupou até 1989.


Durante o período, marcado pela guerra entre o Irã e o Iraque, Khamenei construiu conexões profundas com as Forças Armadas, em especial a Guarda Revolucionária, que o deixaram em posição forte para suceder Khomeini.


Ainda assim, sua escolha como novo governante estava longe de ser óbvia: quando Khomeini morreu, em 1989, Khamenei não era um aiatolá, isto é, não estava no topo da hierarquia religiosa xiita. Além disso, Khomeini escolheu o então presidente como seu sucessor pouco tempo antes de morrer, e a Constituição iraniana precisou ser alterada para permitir que Khamenei pudesse chegar ao posto de líder supremo sem ser um aiatolá.


Sem o carisma, popularidade e autoridade religiosa do antecessor, Khamenei consolidou seu poder apoiando-se nas suas conexões militares e no aparato de segurança, que utilizou repetidas vezes ao longo das décadas para reprimir protestos no país.


Em 2009, manifestantes foram às ruas em todo o país denunciando fraude eleitoral na reeleição do presidente Mahmoud Ahmedinejad —no Irã, apenas candidatos aprovados pelo chamado Conselho dos Guardiões podem concorrer à Presidência, e o cargo está subordinado ao líder supremo.


Quando os reformistas Mir-Hossein Mousavi e Mehdi Karroubi foram derrotados no pleito, os piores conflitos até então entre manifestantes e forças de segurança em décadas irromperam no Irã. Ao final dos protestos, de 36 a 70 pessoas foram mortas nos confrontos, e mais de 4.000 foram presas.



Em 2022 e 2023, Khamenei agiu da mesma forma ao prender quase 20 mil pessoas que protestaram contra a morte da jovem Mahsa Amini sob custódia da polícia moral do país —segundo organizações de direitos humanos, mais de 500 pessoas foram mortas pelas forças de segurança.


A resposta aos maiores protestos da história da República Islâmica, em 2026, não foi diferente. Algumas entidades estimaram que o número de mortos pode ter ultrapassado 35 mil, com mais de 300 mil feridos e 53 mil prisões. Alguns manifestantes chegaram a ser condenados à morte, mas as execuções foram suspensas após pressão de Trump.


Analistas apontam que, dentro do complexo sistema político iraniano, Khamenei repetiu a estratégia de Khomeini para manter sua autoridade: impediu que qualquer facção dentro do regime acumulasse poder demais, equilibrando as ambições de rivais a fim de garantir que nenhum pudesse ameaçar sua posição no topo da hierarquia política.


Ainda não há indicações claras de quem poderá vestir o manto de Khamenei. Por anos, a escolha clara era o clérigo Akbar Hashemi Rafsanjani. Ele morreu em 2017, porém. Depois, um dos mais cotados era o então presidente do Irã, Ebrahim Raisi —que morreu em uma queda de helicóptero considerada suspeita em 2024.


Seja quem for o escolhido, herdará uma população cada vez mais secular, com o risco de mobilizações populares exigirem a simples extinção do cargo, com uma guinada democrática. Em outras ocasiões, o Irã já aventou substituir a posição de líder supremo por um conselho consultivo.


Diogo BercitoVictor LacombeFolha de São Paulo

Morre aos 78 anos o diretor e ator Dennis Carvalho

 


                                                Divulgação




Morreu neste sábado (28), no Rio de Janeiro, aos 78 anos de idade, o ator e diretor Dennis Carvalho. Natural de São Paulo, ele estava internado no Hospital Copa Star, em Copacabana, Rio de Janeiro.


A causa da morte não foi revelada, a pedido dos familiares do artista. Ele deixa três filhos: Luíza, do casamento com a também atriz Deborah Evelyn; Leonardo, da união com Christiane Torloni, e Tainah, filha de Monique Alves. 


Dennis Carvalho dirigiu novelas de grande audiência, como Vale Tudo e Fera Ferida. O início de sua trajetória foi marcado por participações em teleteatros e dublagens de atrações televisivas marcantes. Foi a voz, por exemplo, do capitão Kirk, de Star Trek (Jornada nas Estrelas). 


Essas experiências no currículo abriram as portas para Dennis na TV Globo, com a qual manteve contrato até os dias de hoje. Dirigiu na emissora, além de novelas, minisséries, como Anos Rebeldes, e o programa de humor Sai de Baixo, exibido semanalmente, com grande Ibope.


Agência Brasil

Nasce em Brasília o Instituto Diálogos

 


Tereza Cristina é a idealizadora do projeto, que funcionará como centro de estudos para debater o país

A senadora Tereza Cristina (PP-MS) apresentou nesta quarta-feira, 25/02, em Brasília, o Instituto Diálogos. A iniciativa nasce com a proposta de atuar como um centro de estudos e formulação de políticas públicas, dedicado ainda à promoção de debates e à elaboração de propostas em diversas áreas.


Entre os eixos prioritários estão temas que vão do agronegócio, área de origem política da parlamentar, à geoeconomia, infraestrutura, tecnologia e inovação, além de discussões relacionadas às relações de trabalho.


A cerimônia de lançamento terá início às 9h, no Brasília Palace Hotel, e vai reunir líderes empresariais e políticos, representantes da sociedade civil, da academia, do mercado financeiro e autoridades federais e estaduais.


Filiada ao Progressistas e líder dessa bancada no Senado, Tereza Cristina informa que o instituto terá caráter independente e não manterá vínculos com partidos.


Segundo a senadora, o instituto reunirá grandes nomes para discutir e aprofundar temas que são caros ao país. Ela atuará como presidente do Conselho de Administração do Instituto. A presidência executiva ficará a cargo do jornalista Inácio Muzzi.


Fonte: Divulgação Instituto Diálogos

Boi gordo fecha estável em São Paulo

 

                                               Foto: Pixabay



Triângulo Mineiro tem alta de R$2/@

O mercado do boi gordo permaneceu sem alterações nas cotações em São Paulo na quinta-feira (27), conforme análise do informativo “Tem Boi na Linha”, publicado pela Scot Consultoria. Segundo o relatório, o cenário foi sustentado por oferta controlada e escalas curtas, o que manteve os preços firmes.



De acordo com a consultoria, “como é comum às sextas-feiras, o volume de negócios foi menor, a ponta compradora não elevou a oferta em relação ao dia anterior e os compradores mais ativos foram os frigoríficos exportadores”. Com isso, as cotações não mudaram na comparação diária. As escalas de abate atenderam, em média, a seis dias.



No acumulado de fevereiro, mês encerrado no último dia útil, o boi gordo registrou alta de 7,4%, a vaca gorda de 7,6% e a novilha de 6,3%. A cotação do “boi China” subiu 7,6% no período.


Em Minas Gerais, a oferta de bovinos esteve contida e as escalas curtas resultaram em alta nas cotações em duas das quatro praças pecuárias. No Triângulo Mineiro, o boi gordo e a novilha subiram R$ 2,00 por arroba na comparação com o dia anterior, enquanto a vaca permaneceu estável. Na região de Belo Horizonte, as cotações ficaram inalteradas. No Norte do Estado, a vaca teve alta de R$ 2,00 por arroba, e boi e novilha mantiveram estabilidade. Na região Sul, não houve alterações. O “boi China” também não apresentou variação em relação ao dia anterior. Nas quatro praças, as escalas de abate não ultrapassaram uma semana.


Em Alagoas, na comparação diária, o boi gordo subiu R$ 2,00 por arroba e a novilha R$ 5,00 por arroba, enquanto a vaca permaneceu com cotação estável.


Em Dourados, Mônica Riedel une agenda institucional e participa de corrida

 

                                             Divulgação



Em meio a extensa agenda de compromissos que o governador Eduardo Riedel cumpre em Dourados na sexta-feira (27) e neste sábado (28), a primeira-dama do Estado, Mônica Morais Dias Riedel, reservou as primeiras horas da manhã de hoje para praticar uma de suas maiores paixões, a corrida de rua.


Maratonista experiente, com histórico de provas inclusive nos Estados Unidos, Mônica aproveitou a estadia na maior cidade do interior de Mato Grosso do Sul para treinar na região dos condomínios, local conhecido pela adesão de praticantes de atividades físicas.


Durante o percurso, ela esteve acompanhada pela primeira-dama do município, Patrícia Leite, esposa do prefeito Marçal Filho. Patrícia é entusiasta da modalidade e figura frequente nos eventos esportivos.


Em vídeo publicado em suas redes sociais, Mônica Riedel celebrou o encontro com grupos de corrida locais e ressaltou a facilidade de manter o hábito saudável, mesmo durante viagens oficiais.


"A corrida é um espaço muito democrático. Você leva o seu tênis, leva uma roupa e, mesmo viajando ou em compromisso, você sempre arruma um lugar na agenda para correr. Quando vierem a Dourados, venham correr aqui", afirmou a primeira-dama.


Por Cristina Nunes

Cristina Nunes

Escola Funsat oferece dez capacitações com vagas abertas

 

                                              Foto: Divulgação



A Fundação Social do Trabalho (Funsat) está com matrículas abertas para dez turmas de capacitações profissionais no mês de março, por meio da Escola Funsat. As vagas são limitadas e destinadas ao público em geral que busca qualificação gratuita para inserção ou recolocação no mercado de trabalho.


As aulas serão realizadas na sede da Funsat, localizada na Rua 14 de Julho, 992, Vila Glória, 1º andar, e também no Polo Funsat Moreninhas, ampliando o acesso à formação profissional em diferentes regiões da Capital.


Cursos na sede da Funsat

No período matutino e vespertino, os interessados poderão se inscrever nas seguintes capacitações:


Auxiliar Administrativo

Data: 02/03 a 27/03

Horário: 07h às 11h

Carga horária: 80 horas

Escolaridade: Ensino Fundamental completo


Informática Básica (quatro turmas)

Data: 02/03 a 13/03 (matutino e vespertino)

Data: 16/03 a 27/03 (matutino e vespertino)

Horários: 07h às 11h ou 13h às 17h

Carga horária: 40 horas

Escolaridade: Alfabetização


Higiene na Manipulação de Alimentos (duas turmas)

Data: 03/03 a 05/03

Data: 24/03 a 26/03

Horário: 07h às 10h

Carga horária: 9 horas

Escolaridade: Alfabetização


Cursos no Polo Funsat Moreninhas

No Polo Funsat Moreninhas, localizado na Rua Anacá, 699, também serão ofertadas turmas voltadas à qualificação profissional:


Cuidador de Idosos

Data: 02/03 a 27/03

Horário: 13h às 17h

Carga horária: 80 horas

Escolaridade: Ensino Fundamental completo


Higiene na Manipulação de Alimentos (duas turmas)

Data: 10/03 a 12/03

Data: 17/03 a 19/03

Horário: 07h às 10h

Carga horária: 9 horas

Escolaridade: Alfabetização


Inscrições

As inscrições podem ser realizadas por mensagem via WhatsApp da Escola Funsat, pelo número (67) 3314-3089.


A iniciativa reforça o compromisso da Funsat com a qualificação profissional gratuita, ampliando oportunidades de geração de renda e fortalecendo o desenvolvimento econômico e social de Campo Grande. As vagas são limitadas.

Confira a agenda do Consultório Móvel neste mês de março

 

                                             Divulgação


A Prefeitura de Campo Grande, através da Superintendência do Bem-Estar Animal (SUBEA), divulga a agenda de março do Consultório Móvel, que levará serviços gratuitos de bem-estar animal a diferentes bairros de Campo Grande ao longo do mês. 


A ação tem como objetivo ampliar o acesso da população aos serviços veterinários básicos, com foco no controle populacional e na saúde de cães e gatos. Os atendimentos ocorrem de segunda-feira a sexta-feira, das 8h às 13h e serão distribuídas 15 senhas para castração e 15 senhas para consulta clínica, vacinação antirrábica e vermifugação, com atendimento por ordem de chegada. 


Confira a programação completa: 


CRAS Jardim Canguru 

02/03 a 06/03 

Das 8h às 13h 

Rua dos Topógrafos, 1175 – Jardim Canguru 

Associação de Moradores Vila Jacy 

09/03 a 13/03 

Das 8h às 13h 

Rua Brigadeiro, 1271 – Vila Taquarussu 

Paróquia São João Calabria 

16/03 a 20/03 

Das 8h às 13h 

Rua Olivério Rodrigues da Luz, 247 – Jardim Macaubas 

CEU das Artes – Parque do Lageado 

23/03 a 27/03 

Das 8h às 13h 

Rua Marai Del Honor Samper, 981 – Parque do Lageado 

Associação de Moradores do Bairro Serravile 

30/03 a 02/04 

Das 8h às 13h 

Rua Capanari, 303 (em frente ao campo de futebol) 

Documentos obrigatórios para todos os serviços: 


Cadastro no CadÚnico atualizado e impresso (indispensável); 

Documento oficial com foto;

Comprovante de residência.

Ataque dos EUA e de Israel mata o aiatolá Ali Khamenei, líder supremo do Irã

 

                                            Reprodução/Reuters

  • Americano diz que morte abre caminho para mudança do regime, mas há dúvidas; retaliação de Teerã se espalha pelo Oriente Médio

  • Quase 2 meses após captura de Maduro, Khamenei é o primeiro chefe de Estado morto em uma operação liderada por Washington


O líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, foi morto neste sábado (28) no inédito ataque conjunto dos Estados Unidos e de Israel contra a teocracia instalada em 1979, cujo futuro está em suspenso.


Altas autoridades do país e de suas Forças Armadas, além de talvez o presidente Masoud Pezeshkian, também morreram. Os bombardeios continuaram na madrugada desta domingo (1º), como Donald Trump havia dito que iriam.


A morte do líder foi confirmada, após horas de negativas, pela mídia estatal iraniana. Com isso, Khamenei se torna o primeiro chefe de Estado no poder assassinado em uma operação comandada por Washington na história. Também foram mortos na ação uma das duas filhas do líder, que tinha outros 4 filhos, além de um neto, um genro e uma nora.


"Khamenei, uma das pessoas mais más da história, está morto", disse Trump na rede Truth Social. Ele disse que ouviu relatos de que elementos da Guarda Revolucionária, a principal força militar do país, querem parar a retaliação contra os EUA e seus aliados no golfo Pérsico, e voltou a oferecer imunidade em caso de rendição.


Mais cedo, o premiê israelense, Binyamin Netanyahu, havia dito publicamente que "há muitos sinais" de que o líder "não está mais entre nós" —o que levou agências de notícia estatais iranianas a dizer que o aiatolá estava "firme e em comando" do campo de batalha, o que só durou até o meio da madrugada deste domingo (1º), noite de sábado no Brasil.


Netanyahu citou que o complexo em que Khamenei morava foi destruído por sua aviação em Teerã. O estrago já era verificável por meio de uma foto de satélite divulgada mais cedo pelo New York Times, mas a mídia estatal iraniana afirmava que o líder e o presidente estavam vivos.


O vice de Pezeshkian, Mohammad Reza Aref, já informou o governo que pode assumir a Presidência caso o titular não reapareça, segundo a agência local Isna.


Netanyahu também afirmou que "diversos comandantes da Guarda Revolucionária e cientistas nucleares" foram alvejados na ação com 200 aviões contra 500 alvos, que levou a uma retaliação também inédita contra aliados americanos no golfo Pérsico, além de ataques a Israel.


Relatos não confirmados indicam a morte do ministo da Defesa, Amir Nasirzadeh, do chefe da Guarda, Mohammad Pakpour, do conselheiro de Defesa Ali Ahamkhani e do chefe do Estado-Maior do país, Mohammad Bagheri, além de diversos outros comandantes.


Segundo o Crescente Vermelho no Irã, 201 pessoas foram mortas nos ataques e 747 ficaram feridas. Não houve baixas americanas, segundo o Pentágono, e ao menos um civil morreu em Abu Dhabi, e outro, em Israel.


A ação militar ocorreu mesmo após o anúncio de mais uma rodada de negociações entre americanos e iranianos acerca do programa nuclear de Teerã, que Trump disse querer ver desmantelado completamente. No ano passado, o americano chegou a atacar instalações atômicas do rival, encerrando uma guerra de 12 dias entre Irã e Israel


Trump e Netanyahu pediram que o povo iraniano vá às ruas para tomar o poder. "Acabem o serviço", disse o premiê israelense.


O iraniano liderava seu país desde 1989, quando morreu o fundador da República Islâmica, aiatolá Ruhollah Khomeini.


Outros líderes hostis a Washington morreram após ações ocidentais na história recente, mas nunca diretamente. O ditador iraquiano Saddam Hussein, por exemplo, foi capturado por americanos em 2003, após a invasão de seu país, mas acabou enforcado após julgamento em uma corte local três anos depois.


Já o ditador líbio Muammar Gaddafi, que sobrevivera a um bombardeio americano em 1986, foi morto por rivais numa sarjeta em 2011 após ser destituído na esteira de uma ação ocidental autorizada pela ONU com participação dos EUA.


Sob Trump, se havia regra limitando ações diretas, ele a ignorou. O americano havia capturado no dia 3 de janeiro o ditador Nicolás Maduro e sua mulher num ataque à Venezuela, de resto uma aliada do Irã, da Rússia e da China.


O que acontece agora é incerto e depende do escopo e da duração da operação americana, que pode visar a destruição da cadeia de comando da Guarda Revolucionária, o principal ente militar da teocracia.


Do ponto de vista sucessório, na ausência do líder é prevista a criação de uma junta formada pelo presidente do país, o chefe do Judiciário e um membro do Conselho dos Guardiões, órgão com seis clérigos e seis juristas.


O grupo governa até a reunião dos 88 membros da Assembleia de Peritos, clérigos eleitos mas que precisam do aval do Conselho, que definirá o nome do sucessor de Khamenei. Com a suspeita morte em acidente aéreo do presidente radical Ebrahim Raisi, em 2024, o favorito era um dos filhos de Khamenei, Mojtaba, 56.


Nada disso é provável com o país sob ataque. A chance de a Guarda tomar as rédeas, se sobreviver de forma organizada, não é desprezível também, tornando o autocrático Estado religioso numa ditadura militar sob linhas semelhantes.


Outra opção é uma guerra civil, dado que não está nos planos e na capacidade mobilizada de Trump a hipótese de uma ação terrestre para empoderar algum grupo no comando.


Este era um temor de ativistas, que buscaram eleger a figura do filho do xá deposto pelos aiatolás, Reza Pahlavi, como nome consensual, o que parecia ilusório dado o distanciamento do príncipe homônimo, radicado nos EUA.


Igor Gielow

Folha de São Paulo