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terça-feira, 9 de junho de 2026
Senadora Tereza cobra apoio ao setor de carnes em meio a obstáculos nas negociações com a União Europeia
Foto: Edilson Rogrigues/Agencia Senado
A senadora Tereza Cristina (PP-MS) avaliou que ainda não é o momento de o Brasil recorrer à Lei da Reciprocidade Econômica, da qual foi relatora no Congresso Nacional, em resposta às novas tarifas de 25% anunciadas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. Segundo ela, o instrumento deve ser utilizado apenas após o esgotamento das tentativas de negociação.
“A reciprocidade é uma medida para quando todas as etapas de diálogo já foram percorridas. O Brasil precisa intensificar as conversas, permanecer à mesa de negociação e ter paciência. Essa é uma atribuição do Poder Executivo. O Congresso pode colaborar por meio da diplomacia parlamentar, mas cabe ao governo federal conduzir as tratativas com os Estados Unidos”, afirmou.
A senadora defendeu cautela até o dia 15 de julho, data prevista para a publicação das medidas pelo governo norte-americano. Para ela, é necessário compreender melhor os desdobramentos da decisão e os caminhos para revertê-la.
“O que me preocupa é entender, caso essas medidas sejam mantidas até 15 de julho, como outros países atingidos pela Seção 301 conseguiram reverter esse processo. O Brasil já enfrentou sanções desse tipo em ocasiões anteriores, envolvendo outros produtos. Precisamos saber quanto tempo isso leva e quais providências são necessárias para restabelecer a normalidade”, explicou.
Tereza Cristina afirmou que o tema exige uma análise cuidadosa. “Vamos avaliar tudo com calma e verificar de que forma podemos reverter essa situação. Desde a missão aos Estados Unidos, em julho do ano passado, eu alertava para os riscos relacionados à Seção 301. A grande preocupação era justamente a amplitude dessa investigação e até onde ela poderia chegar. Infelizmente, ela avançou para temas como Pix, desmatamento e tarifas”, observou.
Na avaliação da parlamentar, a medida volta a afetar as relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos. Embora a tarifa de 25% não alcance todos os produtos exportados pelo país, ela considera que os impactos serão significativos.
“A taxação não foi aplicada de forma horizontal. Alguns itens, como suco de laranja, determinadas carnes, café e frutas, ficaram de fora por serem produtos importantes para o mercado americano. Ainda assim, a medida reduz oportunidades de negócios com um parceiro comercial estratégico, especialmente para o agronegócio brasileiro. Em vários casos, as tarifas acabam inviabilizando exportações, sobretudo de produtos industrializados”, destacou.
A senadora também demonstrou expectativa de que a chegada de um novo embaixador dos Estados Unidos contribua para a retomada do diálogo. “Espero que possamos abrir novas frentes de conversa e estreitar o relacionamento. Não podemos fechar portas. Pelo contrário, este momento reforça a importância de uma atuação mais intensa da diplomacia parlamentar, que também pode ajudar a construir soluções”, concluiu.
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