terça-feira, 14 de julho de 2026

Morre por eutanásia Catalina Giraldo, 30, que travou batalha judicial na Colômbia para ter acesso ao suicídio assistido por médicos

 


  • No Brasil, tanto eutanásia quanto suicídio assistido são considerados crimes

  • Prática é legal na Holanda, Bélgica, Luxemburgo, Colômbia e Espanha


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A psicóloga colombiana Catalina Giraldo, 30, passou a última década da vida convivendo com um sofrimento intenso e passando por diferentes tratamentos para tentar conviver com ele. Ela havia sido diagnosticada com transtorno depressivo maior grave e persistente, transtorno de personalidade borderline e transtorno de ansiedade.


Giraldo tentou de tudo: cerca de 40 combinações diferentes de medicamentos, anos de psicoterapia, terapia eletroconvulsiva e infusões de cetamina.


Desde 2019, foi internada nove vezes por crises agudas e tentou se suicidar em várias ocasiões. Ela se sentia exausta e sem forças para continuar.


"Sinto que é um inferno. Estou tão cansada de ter que lidar com isso o tempo todo [...] Para mim, já chega", disse Giraldo em uma reportagem do telejornal colombiano Noticias Caracol, exibida em março, que tornou o seu caso público.


Por causa de sua condição de saúde, ela fez um pedido inédito ao sistema de saúde colombiano: autorização para recorrer ao suicídio assistido por médicos, que é um mecanismo legal que permite ao paciente acessar um medicamento e acompanhamento médico para morrer de acordo com suas decisões e desejos.


O pedido foi negado por falta de regulamentação desse procedimento na Colômbia. Depois de uma longa batalha judicial, Giraldo morreu em 9 de julho, após aceitar se submeter à eutanásia.


Segundo o Noticias Caracol, ela morreu ao lado de familiares em uma clínica da capital colombiana, Bogotá.


Uma batalha judicial inédita

O suicídio assistido por médicos é uma figura jurídica que permite ao paciente ter acesso a medicamentos e ao acompanhamento de profissionais de saúde para morrer de acordo com sua própria vontade.


Diferentemente da eutanásia, em que o médico administra o medicamento que causa a morte, no suicídio assistido é o próprio paciente quem o realiza.


A Colômbia é um dos países que mais avançaram no reconhecimento do direito à morte digna e na definição de regras para que esse direito possa ser exercido. Em 2024, 352 colombianos recorreram à eutanásia. O número cresce ano após ano.


Tanto a eutanásia quanto o suicídio assistido por médicos são descriminalizados na Colômbia nos casos em que a pessoa sofre de uma doença grave e incurável que provoca sofrimento físico ou psicológico incompatível com sua concepção de uma vida digna.


Mesmo assim, Giraldo teve negado o direito de pôr fim à própria vida de forma digna, com assistência médica.


Até os últimos dias de vida, travou, ao lado de seu advogado Lucas Correa Montoya, uma batalha judicial para se tornar a primeira colombiana a obter acesso ao suicídio assistido por médicos.


Antes de morrer, também pediu à Corte Constitucional que julgasse o mérito de seu caso e "eliminasse as barreiras que ainda existem no sistema de saúde", segundo comunicado divulgado por Correa Montoya, seu advogado.


A busca de Catalina Giraldo por uma morte digna

Em setembro de 2025, Giraldo pediu a eutanásia à sua EPS (entidade promotora de saúde). "Após uma conversa com seus médicos e com sua família, Giraldo fez um primeiro pedido de eutanásia porque é o único mecanismo regulamentado", relatou o advogado Correa Montoya.


No sistema de saúde colombiano, as EPS são empresas públicas ou privadas responsáveis por assegurar os usuários e administrar os recursos. Entre outras funções, são elas que autorizam procedimentos como a eutanásia.


No caso de Giraldo, a EPS negou o pedido sob o argumento de que ela não tinha uma doença grave e incurável e que ainda existiam tratamentos disponíveis.


Segundo Correa Montoya, esgotar todas as opções de tratamento não é um requisito para acessar a eutanásia na Colômbia.


"Sempre haverá algo a tentar. Sempre haverá outro remédio para tomar, uma dose diferente, uma nova combinação", disse Correa Montoya.


Em um documento divulgado pelo Noticias Caracol, Giraldo argumenta que os seus sintomas não haviam melhorado, apesar de ter seguido, por anos, diversos tratamentos conforme orientação de seus médicos.


Diante da negativa da EPS, Giraldo buscou advogados para entrar com uma ação de tutela e reivindicar seu direito à morte digna.


Foi assim que chegou ao escritório de Correa Montoya, advogado com ampla experiência nesse tipo de caso. Com a orientação dele, Giraldo decidiu tentar outro caminho: o da assistência médica ao suicídio.


Para Giraldo, "é valioso, em termos de liberdade e autonomia, ser ela própria a pôr fim à vida", afirma Correa Montoya à BBC News Mundo, serviço em espanhol da BBC, meses atrás. Essa era a principal diferença em relação à eutanásia, na qual é o médico quem administra o medicamento que provoca a morte.


Giraldo, então, solicitou à sua EPS acesso à assistência médica ao suicídio e, mais uma vez, recebeu resposta negativa.


Entre as justificativas, a empresa afirmou que não tinha "competência legal" para autorizar o procedimento devido à ausência de "regulamentação específica por parte do Ministério da Saúde".


A tensão jurídica

Em uma decisão de 2022, a Corte Constitucional da Colômbia estabeleceu que um médico não comete crime ao assistir o suicídio de um paciente que sofre de intenso sofrimento físico ou psíquico causado por uma doença grave e incurável, desde que haja consentimento livre, informado e consciente.


Apesar disso, a assistência médica ao suicídio ainda não foi regulamentada. Na prática, não existem regras claras para que os médicos possam realizá-la.


Foi a isso que a EPS se referiu ao afirmar que não tinha "competência legal" para autorizá-lo.


A responsabilidade de criar essa regulamentação recai, em princípio, sobre o Congresso.


Mas, apesar de reiterados pedidos da Corte Constitucional, o Congresso colombiano não conseguiu aprovar nenhuma lei nem sobre a eutanásia nem sobre o suicídio assistido.


No caso da eutanásia, o Ministério da Saúde da Colômbia emitiu resoluções para preencher essa lacuna, estabelecendo diretrizes para as entidades de saúde. Já no caso do suicídio medicamente assistido, isso ainda não ocorreu. Foi esse o obstáculo que Giraldo encontrou em seu caminho.


"É uma tempestade perfeita de negligência. O Congresso não faz nada, o Ministério da Saúde também não, e isso faz com que o sistema de saúde não tenha regras para realizar o procedimento", diz Correa Montoya na época.


Ao lado do advogado, Giraldo entrou com uma ação de tutela em novembro de 2025, reivindicando seu direito à morte digna.


A ação de tutela é um mecanismo que permite aos colombianos recorrer à Justiça quando consideram que os seus direitos estão sendo violados.


No caso de Giraldo, ela e o seu advogado pediram que o juiz determinasse que a EPS autorizasse o suicídio medicamente assistido e que o Ministério da Saúde e o Congresso criassem a regulamentação necessária.


O juiz negou o pedido. Ele entendeu que Giraldo não tinha esgotado outras alternativas para acessar a morte digna. Especificamente, que ela não havia solicitado que um segundo comitê médico revisasse o seu pedido de eutanásia anteriormente negado.


Para o advogado de Giraldo, a decisão é juridicamente equivocada, já que ela não pedia autorização para eutanásia, mas sim assistência médica ao suicídio.


Giraldo e seu advogado esperavam que a Corte Constitucional aceitasse analisar o caso e decidisse sobre o mérito, determinando a regulamentação do procedimento.


Se isso acontecesse, os demais órgãos envolvidos teriam de cumprir a decisão, abrindo caminho para que ela se tornasse a primeira colombiana a acessar o suicídio medicamente assistido. Mas isso não aconteceu.


"Catalina [Giraldo] sabe que é preciso travar essa batalha para abrir espaço para o debate sobre um suicídio seguro, assistido e protegido", dizia Correa Montoya enquanto a sua cliente ainda lutava na Justiça.


Em entrevista ao Noticias Caracol, Giraldo afirmou que encontrou no suicídio medicamente assistido uma forma de encerrar a própria vida de maneira não violenta e menos traumática para a família. "Talvez assim eu cause o menor sofrimento possível. Talvez assim minha família possa me acompanhar no processo."


"As pessoas tiram a própria vida. As pessoas fazem isso, ainda que nos incomode falar. E eu acredito que esta é uma forma mais cuidadosa e mais amorosa possível."


E concluiu: "Para mim, pedir o suicídio medicamente assistido é um ato de amor. É um ato de amor comigo mesma, mas sobretudo um ato de amor com a minha família."


O que diz a lei no Brasil

A eutanásia voluntária, assim como o suicídio assistido, são legais na Holanda, Bélgica, Luxemburgo, Colômbia e Espanha. Já o suicídio assistido é permitido na Suíça, Alemanha, Canadá, África do Sul e em alguns estados dos Estados Unidos, com regras específicas em cada local.


Mas no Brasil, nenhuma das práticas é aceita legalmente. O Código Penal classifica o suicídio assistido como um crime contra a vida por meio do artigo 122, que veta o ato de "induzir ou instigar alguém a suicidar-se ou prestar auxílio para que o faça".


O crime é passível de pena de dois a seis anos de prisão quando o suicídio é consumado, ou de um a três anos caso isso não ocorra, mas resulte em lesão corporal grave.


A pena pode ser duplicada caso o ato seja praticado por "motivo egoísta" ou se a vítima for menor de idade ou tiver sua "capacidade de resistir diminuída".


A eutanásia é considerada um homicídio simples, por meio da combinação do artigo 121, que trata do ato de "matar alguém", e do artigo 29, que estende a culpabilidade e as penas aplicadas a um crime a "quem, de qualquer modo, concorre" para ele.


Desde 2006, o CFM (Conselho Federal de Medicina) autoriza por meio de uma resolução que médicos interrompam o tratamento de um doente terminal, se este for o desejo do paciente, uma prática conhecida como ortotanásia.


Mas a medida foi suspensa em 2007 por liminar da Justiça Federal emitida a pedido do Ministério Público Federal, para o qual tal prática só poderia ser autorizada por meio de lei.


No entanto, em 2010, a liminar foi anulada pela Justiça a pedido do próprio MPF após o órgão mudar de opinião quanto ao tema.


* Caso seja ou conheça alguém que apresente sinais de alerta relacionados ao suicídio, ou caso você tenha perdido uma pessoa querida para o suicídio, confira alguns locais para pedir ajuda:


- O Centro de Valorização da Vida (CVV), por meio do telefone 188, oferece atendimento gratuito 24h por dia; há também a opção de conversa por chat, e-mail e busca por postos de atendimento ao redor do Brasil;


- Para jovens de 13 a 24 anos, a Unicef oferece também o chat Pode Falar;


- Em casos de emergência, outra recomendação de especialistas é ligar para os Bombeiros (telefone 193) ou para a Polícia Militar (telefone 190);


- Outra opção é ligar para o SAMU, pelo telefone 192;


- Na rede pública local, é possível buscar ajuda também nos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), em Unidades Básicas de Saúde (UBS) e Unidades de Pronto Atendimento (UPA) 24h;


- Confira também o Mapa da Saúde Mental, que ajuda a encontrar atendimento em saúde mental gratuito em todo o Brasil.


- Para aqueles que perderam alguém para o suicídio, a Associação Brasileira dos Sobreviventes Enlutados por Suicídio (Abrases) oferece assistência e grupos de apoio.



O texto foi publicado originalmente aqui.

Santiago VanegasGiulia GranchiBBC News Brasil

CAMPO GRANDE Polícia prende quatro por morte de mulher na região do "Inferninho" e identifica quinto envolvido

 







A Polícia Civil, por meio da Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), deflagrou nesta terça-feira (14) uma operação que resultou na prisão temporária de quatro suspeitos de envolvimento no homicídio de Giovana Castura Werner, ocorrido em 24 de março, na região conhecida como Inferninho, em Campo Grande. Durante as diligências, os investigadores também identificaram um quinto suspeito, apontado como responsável por auxiliar na ocultação do cadáver e do veículo utilizado no crime.


As investigações começaram logo após a localização do corpo de uma mulher, ainda sem identificação, com marcas de disparos de arma de fogo. No dia seguinte, a vítima foi identificada como Giovana Castura Werner, e equipes da DHPP iniciaram a oitiva de familiares, que informaram que o último contato com ela havia ocorrido na véspera do crime. Na ocasião, a vítima disse que sairia de casa para realizar cobranças.


Também no dia seguinte ao início das investigações, os policiais localizaram o veículo utilizado por Giovana, abandonado em uma área erma diferente do local onde o corpo foi encontrado. No interior do automóvel foram recolhidos vestígios de sangue, um projétil de arma de fogo e uma pá. O aparelho celular da vítima, no entanto, não foi localizado.


A partir desse ponto, a DHPP intensificou as diligências de campo e representou pelo afastamento de sigilos de investigados. As medidas permitiram identificar que, após a morte da vítima, foram realizadas transferências bancárias da conta de Giovana para a conta de um dos suspeitos. Na sequência, os valores foram pulverizados entre contas de outros investigados.


Segundo a apuração, o suspeito apontado como líder do grupo conhecia a senha bancária da vítima, que o tratava como filho, circunstância que teria possibilitado a realização das transações financeiras após o homicídio. Com base nos elementos reunidos durante a investigação, a Justiça decretou a prisão temporária dos envolvidos.


Durante a operação desta terça-feira, foram cumpridos quatro mandados de prisão temporária e cinco mandados de busca e apreensão. No decorrer das diligências, os policiais identificaram ainda um quinto suspeito, que teria recebido R$ 500 para ajudar na ocultação do cadáver e do veículo utilizado no crime.


A ação contou com apoio de equipes da Delegacia Especializada de Repressão a Roubos a Bancos, Assaltos e Sequestros (Garras) e da Delegacia Especializada de Repressão a Roubos e Furtos (Derf).


Dos cinco investigados, quatro foram interrogados. Segundo a Polícia Civil, todos confessaram participação no crime, embora tenham apresentado versões divergentes sobre a dinâmica dos fatos, o que continuará sendo apurado. O suspeito apontado como líder do grupo negou envolvimento, afirmou ter sido incriminado e apresentou versão considerada incompatível com as provas reunidas até o momento.


Foram presos G. R. F., de 26 anos; J. P. D. S., de 19 anos; J. V. M. A., de 20 anos; e V. G. S., de 35 anos.


A investigação prossegue para esclarecer a dinâmica do homicídio e definir a participação individual de cada um dos envolvidos.

                                             Bruna Marques/ Campo Grande News

NOVA ANDRADINA Apontado como responsável por logística de facção morre em confronto durante operação

 

                                             Foto Nova News


A Operação Liberdade Duradoura, deflagrada na manhã desta terça-feira (14) em Nova Andradina e Batayporã, registrou morte de um dos alvos da ação policial.


Segundo informações divulgadas pelo site Nova News, o homem era apontado pelas investigações como um dos principais responsáveis pela logística do Comando Vermelho (CV) na região. 


Conforme a apuração policial, o suspeito exercia uma função estratégica dentro da organização criminosa, sendo responsável pela movimentação de integrantes da facção, além do transporte de armas, veículos, combustível e recursos financeiros utilizados pelo grupo.


A morte ocorreu durante o cumprimento de um dos mandados judiciais expedidos no âmbito da operação. As informações preliminares indicam que o homem teria reagido à abordagem policial, dando início a uma troca de tiros.


Ele foi baleado e morreu durante a ação. As circunstâncias do confronto ainda deverão ser detalhadas oficialmente pelas forças de segurança.


A Operação Liberdade Duradoura foi desencadeada de forma integrada pela Polícia Civil e Polícia Militar, com apoio de equipes especializadas do Garras, Bope, Defron, Dracco e da Coordenadoria-Geral de Policiamento Aéreo (CGPA).


A ofensiva busca combater o avanço de organizações criminosas no Vale do Ivinhema e aprofundar as investigações sobre os homicídios registrados nas últimas semanas em Nova Andradina.


De acordo com o Nova News, os assassinatos e tentativas de homicídio ocorridos recentemente no município estariam ligados à disputa entre integrantes do Comando Vermelho (CV) e do Primeiro Comando da Capital (PCC) pelo controle de atividades criminosas na região.


A escalada da violência acendeu o alerta das forças de segurança, que intensificaram as investigações e as ações de combate ao crime organizado.


Até o momento, as autoridades não divulgaram o balanço final da operação. As diligências continuam em andamento e novas informações sobre prisões, apreensões e outros desdobramentos devem ser anunciadas após a conclusão dos trabalhos.

Corpos de dois homens são achados em estrada vicinal da Capital

 

                                             Os corpos foram encontrados por pessoas que passavam pelo local (Foto: Mateus Andrade/Midiamax)


Os corpos de dois homens foram encontrados na manhã desta terça-feira (14) em uma estrada vicinal que liga a BR-262 à MS-040, a cerca de 30 quilômetros da área urbana de Campo Grande.


Uma das vítimas apresentava um ferimento na cabeça, possivelmente provocado por disparo de arma de fogo.


De acordo com informações apuradas pelo Jornal Midiamax, moradores acionaram o Batalhão de Polícia Militar Rural por volta das 11h40 após encontrarem os corpos. As vítimas ainda não haviam sido identificadas até a publicação desta reportagem.


O primeiro corpo estava às margens da estrada e, próximo a ele, os policiais localizaram um canivete. O segundo homem foi encontrado a cerca de 10 metros de distância. A polícia ainda aguarda o trabalho da perícia para confirmar se ele também apresentava sinais de violência. Um aparelho celular foi encontrado nas proximidades.


Durante os levantamentos, equipes encontraram marcas de sangue e pegadas de chinelo na estrada de terra, além de um boné vermelho que pode pertencer a uma das vítimas.


A Polícia Civil e a Perícia Criminal estiveram no local e investigam as circunstâncias do caso.

Ataque com facão deixa mulher mutilada em bar de Campo Grande

 

                                           Mulher com ferimento na orelha. (Foto: Ilustrativa)



A atual companheira do ex-namorado de uma mulher de 53 anos é apontada como uma das suspeitas de participar de um ataque com facão que terminou com a vítima gravemente ferida, na noite de segunda-feira (13), em Campo Grande.


De acordo com reportagem do potal Mídiamax, durante a confusão, parte da orelha esquerda da mulher foi decepada.


De acordo com o boletim de ocorrência, o crime aconteceu em um bar nas proximidades da UPA (Unidade de Pronto Atendimento) Coronel Antonino, onde a vítima consumia bebida alcoólica com o ex-companheiro.


Em determinado momento, duas mulheres chegaram ao local e iniciaram uma discussão que terminou em agressão.


A PM (Polícia Militar) foi acionada após a vítima dar entrada na UPA com intenso sangramento. Conforme relato da assistente social da unidade, a mulher precisou receber atendimento médico de urgência.


À polícia, a vítima informou que uma das agressoras seria a atual companheira de seu ex-namorado. No entanto, devido à rapidez da confusão, ela não conseguiu identificar qual das duas mulheres desferiu o golpe de facão.


Por causa da gravidade dos ferimentos e da amputação parcial da orelha, a vítima foi transferida para a Santa Casa, onde permaneceu sob cuidados médicos.


O caso foi registrado na Depac-Cepol (Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário do Centro Integrado de Polícia Especializada) como lesão corporal dolosa. A PC (Polícia Civil) investiga a autoria do golpe e a participação das envolvidas na agressão.

Projeto em São Paulo usa atividade física para tratar dor crônica

 

                                           Zanone Fraissat - 7.jul.26/Folhapress

  • Sessões acontecem semanalmente e incluem alongamento, fortalecimento e correção postural
  • Pacientes relatam melhora da dor mesmo sem o auxílio de medicação



Há cinco meses, dores nos ombros e na coluna lombar passaram a impactar a vida da manicure Maria Hosana Reis Ferreira de Oliveira, 53. Erguer os braços tornou-se um movimento impossível. Deitar na cama para dormir potencializava o incômodo. Noites em claro, estresse e cansaço pioraram a situação de Maria Hosana. Na UBS (Unidade Básica de Saúde), o médico recomendou o projeto EducaDor.


Voltado a pacientes das UBSs Mitsutani e Arrastão, serviços da Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo administrados pelo Einstein Hospital Israelita, na zona sul da capital paulista, o projeto EducaDor trata e previne a dor crônica por meio da atividade física.


Dor crônica é aquela que persiste ou vai e volta por mais de três meses. A condição deixa de ser um sinal de alarme e se transforma em doença. O problema impacta a vida da pessoa, piora os níveis de depressão e ansiedade, favorece o aparecimento de distúrbios do sono, alterações na autoestima e problemas em relacionamentos.


Hosana observou melhora do quadro em pouco tempo. "A dor nos ombros desapareceu com dois meses de frequência no projeto e a da coluna praticamente não sinto mais. Não precisei nem tomar remédios", conta a manicure.


Segundo o fisioterapeuta Emerson Roberto Brito, 52, um dos coordenadores do trabalho, dores na lombar, nos joelhos e nos ombros (nesta ordem) são as mais comuns entre os participantes do grupo.


Os encontros acontecem às terças-feiras, às 7h30, no Cecco (Centro de Convivência e Cooperativa) Campo Limpo, localizado junto a um CEU (Centro Educacional Unificado). Ao longo de uma hora, os pacientes praticam cinesioterapia (terapia por meio do movimento) com alongamento, fortalecimento muscular, treino de equilíbrio, consciência corporal e correção postural.


"Com a cinesioterapia, o movimento é um recurso a mais no enfrentamento da dor. Fazemos atividades de mobilização, fortalecimento e alongamento muscular. Com isso, trabalhamos o equilíbrio e a propriocepção, que é o autoconhecimento do corpo. O fortalecimento muscular também ajuda na prevenção de quedas, na melhora do humor, no trabalho e no combate à insônia", explica Brito.


Os exercícios —de intensidade leve a moderada— não têm contraindicação. O segredo é não ultrapassar o limite da dor. Doentes crônicos podem executá-los desde que estejam com a condição de saúde controlada.


Na última terça-feira (7), a reportagem acompanhou uma atividade do projeto EducaDor. Na ocasião, havia cerca de 30 pessoas na sala, mas o número chega a dobrar em alguns dias, dizem os frequentadores. Ao término da sessão, todos saem com uma lição de casa: praticar os exercícios diariamente.


Sessões de auriculoterapia —técnica da medicina tradicional chinesa que utiliza pontos específicos na orelha para tratar condições físicas e emocionais— complementam o tratamento. Uma vez por mês, há uma aula extra com orientações sobre cuidados e prevenção de doenças. A reunião é, ainda, uma oportunidade para socialização —boa parte do grupo tem 60 anos ou mais.


Os anti-inflamatórios não conseguiram minimizar as dores na coluna cervical e na lombar da aposentada Marli Estefânia Pimenta, 64. O efeito da medicação era passageiro.


Marli frequenta o EducaDor há nove meses, desde que recebeu indicação de uma médica da UBS Jardim Mitsutani. Em pouco tempo de exercício, a mulher sentiu diferença na intensidade da dor.


"Em 30, 40 dias, veio a sensação de alívio no corpo. Hoje, estou praticamente livre das dores. O único cuidado que tomo é com a postura e ao levantar peso", diz a aposentada.


O desempregado Edson Ramos Silva, 67, chegou ao projeto com dor crônica persistente pós-operatória há um ano, depois de um procedimento na coluna.


Edson relata que a cirurgia foi útil inicialmente, mas com o tempo surgiram dores que irradiavam para pernas e ombros. "Não consegui controlar com medicamentos, e o médico da UBS me orientou a procurar esse grupo", diz. Ele afirma ter melhorado acima de 70% mantendo os exercícios, sem precisar de remédios.




Como o movimento melhora a dor?

O movimento ativa a "farmácia natural" do corpo, chamada farmácia endógena. É por meio dela que o organismo aciona os seus próprios mecanismos de controle da dor.


Segundo o fisioterapeuta, o corpo produz neurotransmissores que auxiliam no combate à inflamação e na modulação da dor. Entre eles estão a endorfina, a dopamina, a serotonina e a noradrenalina.


Além disso, o exercício atua na mecânica das articulações: todas elas possuem uma membrana interna que produz o líquido sinovial, um lubrificante natural.


Conforme o corpo se mexe, mais é estimulada a circulação do líquido sinovial, o que facilita o deslizamento entre os ossos e lubrifica a articulação.


"Na prática clínica, trabalhamos o alongamento para reduzir a rigidez muscular e a mobilização para devolver a funcionalidade ao membro. O fortalecimento muscular é essencial para aliviar as dores: muitas vezes a articulação já apresenta desgaste, e o músculo precisa ser fortalecido para suportar a carga que ela não consegue mais absorver sozinha", explica o especialista.


É possível ficar 100% livre da dor, mas nem todos conseguem. Tem dor crônica que envolve outros fatores além da musculatura e da articulação.


"Desgaste articular não consigo resolver 100% com exercício. Mas é aquela coisa: hoje a dor é nota oito. Com atividade física, passa a doer quatro. Em vez de cinco crises no ano, eu terei duas. Se antes ficava cinco dias parado, hoje paro somente um. E o mais importante: quando eu percebo que a crise de dor vai chegar, já sei como enfrentá-la."




Em São Paulo, a rede municipal de saúde possui seis Centros de Referência da Dor, um em cada região da cidade. O acesso é por meio da UBS de referência.


Cada unidade conta com uma equipe multiprofissional composta por médicos especialistas (anestesiologistas e/ou neurologistas, clínicos especialistas em dor, ou fisiatras), além de enfermeiros, psicólogos, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, farmacêuticos e assistentes sociais.


Em outros municípios brasileiros, o indivíduo deve se informar sobre o tratamento contra dor crônica na UBS perto de onde mora.


O projeto Saúde Pública tem apoio da Umane, associação civil que tem como objetivo auxiliar iniciativas voltadas à promoção da saúde


Patrícia PasquiniZanone FraissatFolha de São Paulo

Choque mata foragido do presídio após suspeito apontar arma para policiais na Capital

 

                                                  Revólver calibre 22 que estava com José Vinicius foi apreendido. (Foto: PM)



Um foragido do sistema prisional morreu durante uma intervenção do Batalhão de Choque da PM (Polícia Militar) na noite de segunda-feira (13), no Bairro Tiradentes, em Campo Grande.


Segundo a corporação, José Vinicius Alvila Cardoso, de 24 anos, reagiu à abordagem apontando uma arma de fogo contra os policiais e acabou baleado.


A equipe realizava diligências na Avenida Ministro João Arinos após receber informações de que um homem armado circulava pela região. Durante as buscas, os militares localizaram o suspeito e deram início à abordagem.


Conforme a versão da polícia, José teria sacado um revólver e direcionado a arma para os agentes, que revidaram. O jovem foi atingido, recebeu atendimento e foi encaminhado à UPA (Unidade de Pronto Atendimento), mas não resistiu aos ferimentos.


No local, os policiais apreenderam um revólver calibre .22 da marca Custer, carregado com dez munições intactas. O armamento foi encaminhado para perícia.


Histórico criminal


De acordo com a PM, José Vinicius estava foragido do sistema penitenciário e possuía um extenso histórico criminal. Os registros começaram ainda na adolescência, com ocorrências por furto e tráfico de drogas.


Em 2023, ele respondeu por posse irregular de arma de fogo, porte ilegal de arma de uso restrito, furto qualificado e seis roubos praticados com emprego de arma e participação de comparsas. Já em 2024, voltou a ser investigado por outro roubo com características semelhantes.


O caso será apurado pelas autoridades competentes, conforme determina o procedimento para ocorrências com intervenção policial.