terça-feira, 7 de abril de 2026

Governo estadual ativa protocolo de internação imediata em casos de chikungunya

 

                                             Foto Arquivo Pessoal




Para frear a epidemia de chikungunya, o governo de Mato Grosso do Sul publicou nesta terça-feira (7) um protocolo emergencial que obriga a transferência de pacientes graves em até uma hora após o pedido de regulação.


A medida foi oficializada por resolução assinada pela secretária estadual de Saúde, Chrystinne Maymone. O texto cria um fluxo prioritário para casos graves ou com risco de agravamento, diante da sobrecarga no sistema de saúde.


Pelo protocolo, a chamada “vaga zero” pode ser utilizada em situações excepcionais. O recurso permite a transferência imediata de pacientes críticos, mesmo sem a disponibilidade formal de leitos. A regra busca evitar que pessoas permaneçam em unidades sem estrutura adequada, o que aumenta o risco de complicações e morte.


O fluxo estabelece uma ordem de prioridade entre hospitais. O primeiro destino deve ser o Hospital Universitário da Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD). Sem resposta ou vaga, o encaminhamento segue para o Hospital Regional. Caso não haja aceite, a transferência deve ocorrer obrigatoriamente por vaga zero.



A resolução também define o que é considerado caso grave. Entram nessa categoria pacientes com falência de órgãos, necessidade de UTI ou sinais de rápida piora. Pessoas com comorbidades, idosos, gestantes e indígenas também são classificadas como grupo de risco.


O texto reconhece o cenário crítico da doença no estado. A taxa de positividade da chikungunya varia entre 72% e 79%, índice considerado extremamente alto e que indica intensa circulação do vírus.


A norma determina que a falta de resposta de hospitais não pode atrasar a transferência. Nesses casos, a decisão deve ser imediata por parte do médico regulador. As unidades de saúde também não podem recusar pacientes por superlotação e devem garantir ao menos a estabilização inicial.


A medida é temporária e permanece válida enquanto durar a situação de emergência em saúde pública provocada pela epidemia.


Cenário atual

Dados divulgados pela Prefeitura de Dourados nesta terça-feira mostram o avanço da chikungunya no município. Até a Semana Epidemiológica 10, foram registradas 3.971 notificações. Desse total, 2.859 são casos prováveis, 1.442 confirmados, 1.973 estão em investigação e 556 foram descartados. A taxa de positividade chegou a 72%.


A análise indica que a epidemia ainda está em curso. Apesar de sinais de queda nas semanas mais recentes, os números podem sofrer impacto por atraso nas notificações.


A rede de saúde enfrenta pressão crescente. A UPA registra média de 451 atendimentos diários, com aumento desde 23 de março. Atualmente, 40 pacientes estão internados com suspeita ou confirmação da doença.


A distribuição dos casos aponta maior concentração em algumas regiões. A Unidade Básica de Saúde da Aldeia Bororó I lidera com 582 notificações. Em seguida aparecem o posto do Jóquei Clube com 256 casos e a unidade Seleta com 189 registros. Também registram números elevados as unidades do Parque das Nações II com 72, Maracanã com 66 e Parque do Lago II com 75.


O município confirmou cinco mortes por chikungunya, todas na Reserva Indígena. Há ainda três óbitos em investigação, sendo dois de indígenas.


A população indígena é a mais impactada. São 1.697 casos prováveis e 1.153 confirmados, além de 2.088 notificações e 237 atendimentos hospitalares. Inicialmente concentrada nas aldeias, a doença já avança para a área urbana.


Diante do cenário, a prefeitura mantém o alerta de emergência em saúde pública. O município intensifica ações de vigilância, combate ao mosquito transmissor e atendimento à população. A orientação é eliminar criadouros e procurar atendimento ao surgimento de sintomas.



ALISON SILVA
Portal Correio do Estado

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