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Uso de silagem cresce no inverno gaúcho
A utilização da silagem se mantém como prática recorrente na pecuária do Sul do Brasil, especialmente nos períodos de outono e inverno, quando há escassez de pastagens. Nesse contexto, o recurso é adotado como forma de garantir a oferta contínua de alimento ao rebanho ao longo do ano.
Durante o inverno, a redução na produção de forragem ocorre de forma natural, sobretudo em áreas de campo nativo, impactando o desempenho dos animais. A silagem passa, então, a ser utilizada para manter a estabilidade produtiva. Na pecuária leiteira, o uso tende a ser mais intenso no outono e na primavera, em função da transição entre pastagens de verão e inverno.
Segundo a Emater/RS-Ascar, a substituição do pasto pela silagem pode ocorrer em diferentes épocas, desde que haja equilíbrio nutricional na dieta. Esse ajuste varia conforme a categoria animal. Terneiros em crescimento demandam maior teor de proteína, enquanto vacas em pico de lactação exigem maior densidade energética, o que pode exigir suplementação com concentrados.
Entre as culturas utilizadas para ensilagem estão sorgo, cana-de-açúcar, capim-elefante e milho, que se destaca no Rio Grande do Sul como principal matéria-prima. O ponto de colheita influencia diretamente a qualidade, sendo recomendado, no caso do milho, o estágio farináceo a duro, quando o valor nutritivo é mais elevado.
O processo de produção da silagem requer etapas como picagem, compactação e armazenamento em ambiente vedado, sem presença de oxigênio. A fermentação anaeróbica é responsável pela conservação dos nutrientes, e falhas como excesso de umidade, compactação inadequada ou entrada de ar podem comprometer a qualidade e gerar perdas, conforme a Emater/RS-Ascar.
Do ponto de vista econômico, a silagem pode reduzir custos quando há estrutura adequada, incluindo maquinário e mão de obra. Em propriedades com menor acesso a esses recursos, o custo por quilo produzido pode ser maior, o que exige avaliação da viabilidade do sistema.
O médico veterinário e extensionista rural da Emater/RS-Ascar, Carlos Brum, destaca que o planejamento alimentar é central no uso da silagem. “Em média, um bovino consome cerca de 2,5% do seu peso vivo em matéria seca por dia, o que significa que uma vaca de 400 quilos precisa ingerir aproximados dez quilos diários. Considerando que a silagem contém, em média, 35% de matéria seca, esse consumo equivale a cerca de 28,5 quilos do alimento por dia”, calcula Brum.
Com base nesses parâmetros, produtores podem estimar a quantidade necessária de alimento, contribuindo para a organização da propriedade. A regularidade na alimentação favorece a manutenção do desempenho dos animais e amplia a previsibilidade econômica, especialmente em períodos de instabilidade climática.
Com informações da Emater/RS-Ascar*

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