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Dourados registrou mais uma morte suspeita de Febre Chikungunya. É o caso de um homem indígena, de 55 anos, sem comorbidades relatadas que apresentou sintomas no dia primeiro deste mês e morreu na sexta-feira, dia 03.
No Informe Epidemiológico divulgado pela prefeitura no domingo, dia 05, o caso aparece sob investigação, junto com o de uma criança indígena de 12 anos, que morreu também na sexta-feira, mas já estava desde 28 de fevereiro com os sintomas.
As amostras coletadas de pacientes vão para o Lacen/SES (Laboratório Central da Secretaria de Estado de Saúde), que é responsável por apresentar o resultado do exame que comprova a causa da morte.
Até o momento foram cinco mortes com diagnóstico comprovado para a doença no município, todos moradores da Reserva Indígena de Dourados, sendo dois bebês de um e três meses de idade, e três idosos, de 60, 69 e 79 anos. Somente um deles tinha hipertensão arterial e diabetes como comorbidade.
MAIS CASOS INVESTIGADOS
Além dos óbitos, ainda há exame de 1.837 pessoas que estão com sintomas da doença, mas aguardam confirmação do diagnóstico por análise laboratorial. Pelo menos, 1.365 casos positivos já foram registrados no município e 469 suspeitas descartadas.
Ao todo, são 35 pessoas internadas em hospitais púbicos, segundo o informe, os privados não informaram se há casos.
Ainda segundo o Informe, a taxa de positividade para a doença permanece em níveis considerados “extremamente elevados”, 73% e 79% desde o início do ano, ou seja, a maioria das pessoas que apresentam sintomas provavelmente está mesmo com Chikungunya e não outra doença.
Atualmente, a taxa está em 74,42%. “Ainda que haja leve redução, os valores permanecem muito acima dos parâmetros considerados adequados em vigilância epidemiológica, sugerindo que a epidemia segue ativa”, detalha o informe.
“A taxa de positividade é um importante indicador da intensidade de transmissão, sendo que valores elevados refletem maior circulação do agente infeccioso. Organismos internacionais como a World Health Organization indicam que taxas acima de 5% já sugerem transmissão não controlada, reforçando que os níveis observados no município são extremamente altos e compatíveis com cenário epidêmico”, consta no relatório.
RESERVA INDÍGENA
Apesar da região da Grande Dourados passar por uma epidemia que avança na área urbana, a maior preocupação continua com os moradores das aldeias Jaguapiru e Bororó.
Dados compilados somente entre a população indígena que incluem tanto território de Dourados quanto de Itaporã, apontam para 1.115 casos confirmados, 493 em investigação e 388 descartados. Ao todo, 227 pessoas precisaram ficar internadas.
COMBATE AOS FOCOS
A orientação das autoridades em saúde é para que a população colabore na eliminação dos focos do mosquito Aedes aegypti, transmissor da doença, eliminando criadouros.
No caso das aldeias, onde a maior parte dos focos está em caixas d’água que a população utiliza para armazenagem de água para beber, fazer comida, limpeza e higiene pessoa devido a falta de rede de abastecimento; foram contratados 50 agentes de endemias que foram empossados no sábado, dia 04.
A Sesai (Secretaria de Saúde Indígena) do Ministério da Saúde ainda anunciou que serão contratados mais 102 profissionais para reforçar os atendimentos em Dourados a partir de maio, incluindo agentes de saúde, de saneamento, enfermeiros e psicólogos.
A FN-SUS (Força Nacional do Sistema Único de Saúde) que chegou no dia 17 de março, continua na região. Passaram pelas aldeias 40 profissionais de saúde, entre médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem e psicólogos.
Para este segunda-feira, dia 06, ainda está previsto o início da distribuição de 2 mil cetas de alimentos, em uma ação conjunta da Funai, o MDS (Ministério do Desenvolvimento Social), Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) e a Defesa Civil.
A SES ainda articula uma estratégia que inclui Dourados entre as cidades de um projeto piloto de vacinação contra a Chikungunya. A previsão de envio é de 46.530 doses.
Por Fabiane Dorta
Dourados News

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