quarta-feira, 8 de abril de 2026

Após cinco idas a UPAs, menino de 9 anos morre em Campo Grande

 



                                             Menino de 9 anos morre após sucessivas idas à UPA (Foto: Arquivo pessoal/Reprodução) 



A morte do menino João Guilherme Jorge Pires, de 9 anos, após uma sequência de atendimentos em unidades de saúde de Campo Grande, levanta questionamentos sobre a condução dos procedimentos médicos e o acompanhamento do quadro clínico ao longo de vários dias.


Segundo relato da família, a criança buscou ajuda ao menos cinco vezes entre UPAs e a Santa Casa antes de não resistir, na madrugada de terça-feira (7).


O caso foi registrado como homicídio culposo — quando não há intenção de matar — e passou a ser investigado pela Polícia Civil.


A sequência começou no dia 2 de abril, quando João sofreu uma queda em casa e foi levado à UPA Tiradentes. Após avaliação e exames, foi liberado com medicação para dor. No dia seguinte, voltou a procurar atendimento, desta vez na UPA Universitário, ainda com queixas, sendo novamente liberado.


Com a persistência dos sintomas, a família retornou à mesma unidade no dia 4. Na ocasião, o menino já relatava dores no peito. De acordo com os familiares, a hipótese levantada foi de ansiedade, e ele recebeu alta mais uma vez.


No dia 5, o quadro levou a uma nova ida à UPA Universitário, onde João permaneceu em observação. Um exame de imagem identificou uma fissura no joelho esquerdo, e a família foi orientada a buscar a Santa Casa para imobilização. Após o procedimento, ele voltou para casa.


A situação se agravou no dia seguinte. Conforme relato do cunhado da vítima, Michael Petrovich de Souza, o menino apresentou piora significativa durante a noite.


“Quando entrei no quarto, ele já estava roxo e com dificuldade para respirar”, contou.


João foi levado novamente à UPA e, em seguida, encaminhado para a Santa Casa. Pouco tempo depois, veio a confirmação da morte.


O intervalo entre a chegada ao hospital e a notícia do óbito, segundo a família, foi de cerca de 30 minutos.


Investigação


A Polícia Civil solicitou exame necroscópico para esclarecer a causa da morte. O caso deve ser analisado pela Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente (Depca), que irá avaliar se houve falhas, demora ou possível negligência nos atendimentos prestados.


A Secretaria Municipal de Saúde (Sesau) informou, em nota, que abriu apuração interna com base em prontuários e registros médicos e que eventuais responsabilidades serão verificadas.


Até o momento, a Santa Casa não se manifestou oficialmente sobre o caso.


Comoção


João Guilherme participava de atividades da Fundação Ueze Zahran, onde integrava o coral da instituição. Em nota, a entidade lamentou a morte e destacou a personalidade do menino, lembrado pela alegria e envolvimento com a música.


A morte da criança gerou comoção e reacendeu o debate sobre a qualidade e a continuidade do atendimento na rede pública de saúde da Capital. (Com G1MS)

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