sábado, 3 de fevereiro de 2018

Criptomoeda é só ponta do iceberg, diz especialista


Por FOLHAPRESS

Em meio ao frenesi do bitcoin, o canadense Don Tapscott, autor de "Blockchain Revolution" e diretor do Blockchain Research Institute –que iniciou suas atividades no Brasil no fim de janeiro–, se apressa em desfazer a confusão entre a tecnologia e as criptomoedas, que considera só uma pequena parte do seu potencial.

Ele diz que a grande oportunidade do blockchain ainda está fora do radar das discussões sobre uma possível bolha de bitcoin e aponta a rastreabilidade de cadeias de produção como o próximo setor a ser modernizado.

Montadoras de eletrônicos espalhadas pelo mundo, por exemplo, poderão usar uma rede distribuída e altamente criptografada para rastrear e controlar o caminho de cada peça dos seus aparelhos.

"Uma grande rede de supermercados, quando tem algum problema com comida, seria capaz de rastrear de onde veio a carne, qual foi a alimentação daquele animal e detectar o problema na origem, usando blockchain. Acho que esta será a próxima grande coisa."

Blockchain é a tecnologia em que se baseia a bitcoin. É uma espécie de livro-caixa global em que as operações não podem ser apagadas.

Em dezembro de 2017, a rede de hipermercados Walmart anunciou uma aliança de segurança alimentar em blockchain, desenhada pela IBM em parceria com a Universidade de Tsinghua, na China, e a rede JD.com, um dos maiores e-commerces daquele país, para compartilhar informações de venda, armazenagem e fornecimento, permitindo o rastreio de produtos alimentícios. O projeto-piloto foi montado para acompanhar o caminho de produtos com carne de porco.

A transportadora dinamarquesa Maersk também já usa o sistema de blockchain da IBM para rastrear a documentação de cargas marítimas da fábrica ao comprador final.

A Foxconn, montadora chinesa responsável por produtos da Apple, também deu seu passo na tecnologia, em março de 2017, criando uma financeira capaz de gerar empréstimos às subsidiárias usando tecnologia blockchain.

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