segunda-feira, 23 de junho de 2025

Montadoras chinesas prometem investir mais de R$ 30 bilhões no Brasil

 






O mercado brasileiro despontou como um dos mais atrativos para investimentos de marcas chinesas. Desde 2023, os aportes já oficializados totalizam R$ 27,4 bilhões — e este valor deve subir nos próximos meses com novos anúncios. O montante inclui a construção de fábricas de carros e motores, a implementação de centros de pesquisa, investimentos em tecnologia e outros acordos comerciais.


Seis marcas chinesas são responsáveis pela soma: BYD, Caoa Chery, GAC, GWM, Omoda Jaecoo e Saic. Outras fabricantes chinesas, como Geely, Foton e Leapmotor, ainda não anunciaram seus próximos passos, mas anteciparam investimentos para o Brasil ao longo de 2025. Com isso, o volume total dos investimentos em breve superará a casa dos R$ 30 bilhões.



O aporte da BYD foi usado para a compra da fábrica que pertencia à Ford em Camaçari (BA), a adaptação do complexo para início da produção nacional da marca, previsto para acontecer no final deste mês, e a criação de um centro de desenvolvimento e pesquisa de novas tecnologias.


A fábrica de Camaçari ficará responsável pela produção dos modelos Dolphin Mini, Dolphin, Yuan Pro e Song Pro. Os veículos serão feitos nos arranjos CKD e SKD, em que kits pré-montados são importados da China para que os veículos sejam finalizados na Bahia.


A marca também terá um centro de desenvolvimento na região, cujo principal objetivo é viabilizar o motor híbrido flex. Nos cinco primeiros meses de 2025, a BYD emplacou 39 mil carros, sendo a marca chinesa que mais vende no país.


Em 2023, a Caoa Chery revelou o plano de investir R$ 3 bilhões para ampliar e modernizar sua fábrica em Anápolis (GO). A aplicação se confirmou no final do ano passado, com a expansão do complexo em 36 mil m² e a aquisição de robôs mais modernos para sua linha de montagem.


O objetivo é atingir capacidade para produzir 160 mil veículos em um ano. Até o momento, foram vendidos 23,5 mil carros em 2025. Também existe a chance de aumentar a capacidade produtiva dos carros da Chery, tendo em vista que a Hyundai pode ter encerrado a parceria com a montadora brasileira. Autoesporte elaborou mais sobre o assunto em primeira mão.


A novata GAC Motor iniciou os trabalhos no Brasil este ano e revelou que irá investir R$ 7,4 bilhões para produzir três carros localmente. O anúncio foi feito ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em maio.


Apesar do plano de ter carros nacionais, a GAC não pretende abrir uma fábrica. Autoesporte ouviu que a intenção é buscar um parceiro local, como a HPE Automotores em Catalão (GO). Os modelos mais cotados são Aion V , GS 4  e Aion Y.


Além da produção local, a GAC pretende abrir um centro de pesquisa e desenvolvimento no Brasil, provavelmente na região Nordeste, visando incentivos.


Em maio último, a GWM anunciou um novo aporte de R$ 6 bilhões no Brasil. Somado ao investimento anterior, o montante já totaliza R$ 10 bilhões. Uma parte significativa foi usada na aquisição e adaptação da fábrica de Iracemápolis (SP), adquirida da Mercedes-Benz.


Assim como a BYD, a GWM também terá um centro de desenvolvimento e pesquisa no Brasil. A estratégia da marca inclui um motor híbrido flex, que será adotado na linha Haval a partir do ano que vem.


Em 2026, a GWM pretende ter quatro modelos nacionais: Haval H4, Haval H6, Haval H9 e a picape Poer. No acumulado deste ano, a marca chinesa emplacou 12,2 mil unidades.


Outra estreante deste ano é a Omoda Jaecoo, marca do grupo Chery que chegou ao Brasil sem relação com a Caoa Montadora. Por enquanto, foram anunciados R$ 200 milhões em investimentos para o início das operações, mas já se fala sobre carros nacionais para o futuro.



Dois cenários estão à mesa para que isso se concretize. A Omoda Jaecoo pode fechar parceria com uma empresa local, como a Comexport em Horizonte (CE). A outra opção é construir uma fábrica em parte do terreno que recebeu da Caoa Chery em Jacareí (SP). Os executivos ainda não bateram o martelo e, até lá, a importação continua.



Somando todas suas joint-ventures, como GM e Volkswagen, a Saic é a fabricante que mais vende carros na China. Por enquanto, foram anunciados R$ 300 milhões em investimentos na fábrica de Pouso Alegre (MG) para a produção de motores de veículos pesados. Posteriormente, o complexo terá a capacidade de produzir componentes para automóveis de passeio.


Paralelamente, a Saic testa carros híbridos e elétricos da MG no Brasil. A operação deveria ter se iniciado oficialmente em 2025, mas Autoesporte apurou que a marca encontrou dificuldades que postergaram o seu lançamento oficial.


Nossa reportagem chegou a ouvir sobre um “cenário de lobby desfavorável”, em menção às recentes movimentações da Associação Nacional das Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), que tenta acelerar a retomada dos impostos de importação.


Por 
Auto Esporte

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